30-07-2015 – 15:30:27
A asset americana AB, antiga AllianceBerstein (a gestora passou a adotar a sigla a partir de 2015) fechou uma parceria com a XP Gestão para trazer seu primeiro fundo ao país. A decisão está relacionada à entrada em vigor da ICVM 555 em outubro, que derruba a limitação de investimento no exterior somente para aplicações acima de R$ 1 milhão. “A ICVM 555 incentivou muito isso, não fazia sentido antes dela, já que o investidor com R$ 1 milhão para investir num produto desse é um investidor apto a alocar diretamente lá fora e não via um produto local”, explica Luciano Jugdar, country manager da AB no Brasil. Por conta da Instrução, a ideia é colocar um ticket mínimo de alocação para o fundo de R$ 25 mil, pontua Ilana Bobrow, responsável pela área de relacionamento com investidores da XP Gestão. “Vamos focar no varejo, onde sabemos que há uma oportunidade muito grande, mas vamos falar também com distribuidores, single e multi-familys offices, e fundos de pensão”.
O feeder, que começa a ser oferecido em outubro, será do fundo AB Concentrated US Equities, que terá também a sigla da XP no feeder local. Trata-se de um fundo de ‘growth’, que investe em papéis de companhias que tenham uma projeção de crescimento de lucro de ao menos 10% nos próximos cinco anos. Por conta desse critério, o universo de ações disponíveis ao fundo, que soma um total de 1.500 papéis na bolsa americana, cai para cerca de 30 ativos. Dada a recente valorização registrada pela bolsa americana nos últimos meses, um ponto que foi levado em consideração na escolha desse fundo especificamente, nota Jugdar, foi o fato dele ter um ‘activy share’ alto em relação ao benchmark, de cerca de 90%. Isso significa que 90% das ações do fundo não estão no benchmark, que é o S&P 500. Jugdar ressalta que um ‘activy share’ alto não significa uma corelação baixa do fundo com o benchmark, já que podem ser papéis diferentes mas dentro de um mesmo setor. O fundo tem 40 anos de tracking record, com um histórico de geração de alpha de 4% em relação ao benchmark.
O country manager da AB no Brasil explica que a parceria com a XP tem como objetivo aproveitar a capilaridade da companhia no país. “A gente não tem por enquanto a ideia de trazer nenhum produto direto. Não temos capilaridade de varejo para abrir alguma coisa e se aproveitar da ICVM 555 diretamente”, fala o executivo. Ainda que não se beneficie diretamente da nova Instrução, Jugdar destaca o importante papel que a mudança promovida no normativo deve trazer para o mercado doméstico. “A ICVM 555 permite a globalização do investimento, algo que o investidor de menor porte no Brasil não acessava. Ele até acessava via os BDRs, mas mesmo assim com uma restrição de nomes gigante”. O Brasil, que por muitos anos foi visto como uma fonte de ativos para as gestoras internacionais, passa a ser visto também como uma fonte de passivo em termos de novos clientes, em uma região que conta com uma poupança ainda relativamente fechada ao exterior, nota o executivo da asset que tem quase US$ 500 bilhões sob gestão. “Não só a AB, mas todas as grandes gestoras do mundo estão olhando pra cá”, ressalta Jugdar, que lembra que, mesmo com o CDI alto, trata-se ainda da sexta maior indústria de fundos do mundo.
Do lado da XP, a casa passa a contar em sua prateleira com um fundo que ainda não estava disponível localmente. “Na distribuição unimos esforços com a AB, mas mais que isso, queremos agregar um pouco de gestão”, explica Ilana Bobrow, da XP Gestão. Bernardo Ferreira, gestor de BDRs da XP Gestão, fará um trabalho de acompanhamento do fundo, para trazer um nível maior de informações do produto para as equipes comerciais de ambas as casas, para que essas possam dar com maior grau de detalhamento as explicações que os clientes demandarem. “O Bernardo não vai opinar na gestão do produto, a ideia é dele trazer mais transparência e acessibilidade ao passar mais informações, traduzir e colocar numa linguagem mais fácil para o investidor brasileiro”, explica Ilana, que fala ainda que o administrador do fundo deve ser o BNY Mellon. A aproximação entre AB e XP Gestão ocorreu quando a asset brasileira estruturou um fundo de fundos global, e seleciou um fundo da AB para compor o portfólio. A AB já foi mais atuante no Brasil – chegou a ter uma parceria com o Banco de Crédito Nacional (BCN) em 1997, quando foi criada a BCN Alliance, gestora dos fundos administrados pelo BCN. A parceria foi encerrada em 2001, quando o Bradesco, que adquiriu o BCN no fim de 1997, comprou a participação da gestora americana. No encerramento da parceria a AB anunciou a abertura de um escritório em São Paulo, mantido até hoje.