Projeção da inflação de 2026 para de subir, segundo Boletim Focus

O Boletim Focus desta semana mostra uma estabilização das expectativas do mercado financeiro em relação à inflação no curto prazo, com a projeção do IPCA para 2026 interrompendo uma sequência de 15 semanas consecutivas de alta. A estimativa do índice ficou estável em 5,33%, mesmo patamar da semana anterior. O movimento sugere uma pausa na piora das expectativas mais imediatas, embora em nível ainda bastante elevado.

A estabilização da inflação de 2026 veio acompanhada de manutenção da Selic no mesmo patamar da semana passada. A projeção para a taxa básica no fim do ano ficou em 14,00%, repetindo o nível anterior e reforçando a leitura de que os juros se estabilizaram, mas em um patamar elevado diante da persistência das pressões inflacionárias.

Ao mesmo tempo, o quadro de 2026 mostrou crescimento da atividade e estabilidade do câmbio. A projeção para o PIB subiu de 1,98% para 1,99%, enquanto a estimativa para o dólar permaneceu em R$ 5,20. Assim, o ajuste da semana para o próximo ano concentrou-se na interrupção da alta do IPCA, com os demais indicadores mostrando pouca mudança.

Para 2027, porém, o cenário é diferente. A projeção para o IPCA subiu de 4,15% para 4,17%, a do dólar avançou de R$ 5,27 para R$ 5,28, e a do PIB recuou de 1,70% para 1,68%. A Selic, por sua vez, ficou estável em 12,00%. O conjunto reforça a percepção de inflação e câmbio mais pressionados, combinados com atividade mais fraca no médio prazo.

Nos horizontes mais longos, o quadro permaneceu relativamente estável. O IPCA de 2028 ficou em 3,70%, a projeção para o PIB seguiu em 2,00% e a da Selic subiu de 10,25% para 10,50%. Em 2029, as estimativas continuaram em 3,50% para inflação, 2,00% para o PIB, R$ 5,40 para o câmbio e 10,00% para a Selic.