IPCA tem alta forte em 2026 e câmbio segue caindo, segundo Focus

O boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central, traz uma elevação expressiva das projeções para a inflação de 2026. A mediana para o IPCA subiu de 4,36% para 4,71% em uma semana, depois de já estar em 4,10% há quatro semanas, num movimento que reforça a piora das expectativas para o próximo ano. Para 2027, a projeção também avançou, de 3,85% para 3,91%, mantendo a trajetória de alta (ver tabela abaixo).

O movimento mostra que a pressão inflacionária segue concentrando a atenção do mercado, sobretudo porque a alta em 2026 foi forte e veio na sequência de revisões já observadas nas semanas anteriores. Nos horizontes mais longos, porém, as estimativas ficaram estáveis: o IPCA de 2028 permaneceu em 3,60%, e o de 2029, em 3,50%.

Em direção oposta, o câmbio segue em trajetória de queda nas projeções do Focus. A estimativa para o dólar no fim de 2026 recuou de R$ 5,40 para R$ 5,37, enquanto a de 2027 caiu de R$ 5,45 para R$ 5,40. Para 2028, a mediana também cedeu, de R$ 5,47 há quatro semanas para R$ 5,46. Apenas a projeção para 2029 ficou estável, em R$ 5,50.

As expectativas para o crescimento do PIB mostraram estabilidade. A projeção para 2026 foi mantida em 1,85%, enquanto a de 2027 seguiu em 1,80%. Para 2028 e 2029, as medianas continuaram em 2,00%.

No caso da Selic, o mercado manteve em 12,50% a estimativa para o fim de 2026, mesmo patamar da semana anterior, acima dos 12,25% projetados há quatro semanas. Para 2027, a mediana ficou estável em 10,50%, enquanto as projeções para 2028 e 2029 foram mantidas em 10,00% e 9,75%, respectivamente.

A leitura geral da pesquisa é de uma combinação entre deterioração das expectativas de inflação no curto e médio prazo e continuidade da aposta em um câmbio mais baixo, sem mudanças relevantes nas estimativas de atividade e juros para os próximos anos.