
Analistas do mercado financeiro seguem projetando aumento da inflação no curto e no médio prazo, segundo o Boletim Focus publicado hoje (22/6) pelo Banco Central. Para 2026, a mediana do IPCA subiu de 5,30% para 5,33%, acumulando 15 semanas consecutivas de alta, para 2027 avançou de 4,10% para 4,15% e para 2028 passou de 3,68% para 3,70%. O movimento reforça a percepção de que a pressão inflacionária segue se intensificando nos horizontes mais relevantes da política monetária.
No caso de 2026, a nova alta chama atenção tanto pelo nível alcançado quanto pela persistência da sequência de revisões para cima. Em 2027, a continuidade do movimento por cinco semanas indica que a deterioração deixou de estar restrita ao curto prazo. Já em 2028, embora o ajuste tenha sido pequeno, ele mostra que a acomodação inflacionária continua sendo adiada.
A piora das expectativas para os preços teve reflexo também na trajetória esperada para os juros. A projeção para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,75% para 14,00%, reforçando a leitura de aperto monetário mais prolongado. Para 2027, a mediana foi mantida em 12,00%, e para 2028, em 10,25%, o que mostra um patamar ainda elevado para os anos seguintes, mesmo sem novas altas nesta semana.
Entre os demais indicadores, o PIB de 2026 subiu de 1,96% para 1,98%, enquanto o de 2027 permaneceu em 1,70%. Para 2028 e 2029, as projeções seguiram em 2,00%. No câmbio, a estimativa para o dólar ficou estável em R$ 5,20 para 2026, subiu de R$ 5,25 para R$ 5,27 em 2027, e foi mantida em R$ 5,30 e R$ 5,40 para 2028 e 2029, respectivamente.
No horizonte mais longo, o quadro permaneceu mais estável. O IPCA de 2029 seguiu em 3,50%, e a Selic para o mesmo ano foi mantida em 10,00%, sugerindo que, apesar da piora mais forte no curto e no médio prazo, o mercado ainda preserva alguma expectativa de estabilização adiante.
