
Os analistas do mercado financeiro voltaram a elevar as projeções para a inflação no curto, médio e longo prazo no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (1/6) pelo Banco Central. Para 2026, a mediana do IPCA subiu de 5,04% para 5,09%, acumulando 12 semanas consecutivas de alta. Para 2027, a projeção avançou de 4,01% para 4,02% e, para 2028, de 3,65% para 3,66%. O movimento reforça a leitura de que a pressão inflacionária segue se espalhando pelos horizontes mais relevantes da política monetária.
No caso de 2026, a nova alta chama atenção não apenas pelo tamanho, mas pela persistência da sequência de revisões para cima. Já os ajustes de 2027 e 2028 foram marginais, mas suficientes para mostrar que a acomodação inflacionária ainda não se consolidou no médio prazo. No horizonte mais longo, o quadro permaneceu mais estável, com o IPCA de 2029 mantido em 3,50% (ver quadro abaixo).
A Selic, por sua vez, ficou estável em 13,25% para 2026 e em 11,25% para 2027. Ainda assim, a manutenção desses níveis indica que o mercado continua trabalhando com juros parados em um patamar mais elevado do que o projetado algumas semanas atrás. Há quatro semanas, as estimativas eram de 13,00% para 2026 e 11,00% para 2027, o que mostra que a curva de juros se estabilizou, mas em um nível mais alto.
Nos horizontes mais longos, as projeções para a taxa básica seguiram inalteradas em 10,00% para 2028 e 2029, reforçando a percepção de estabilidade adiante, ainda que sem retorno a níveis mais baixos no curto prazo.
Entre os demais indicadores, o PIB de 2026 subiu de 1,89% para 1,90%, enquanto o de 2027 ficou estável em 1,70% e as projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%.
No câmbio, o Focus voltou a apontar queda do dólar no curto e no médio prazo: a estimativa para 2026 recuou de R$ 5,17 para R$ 5,16, a de 2027 caiu de R$ 5,26 para R$ 5,25. Para 2029 e 2028 o dólar ficou estável em R$ 5,30 e R$ 5,40, respectivamente.
