Focus mostra forte deterioração das expectativas do mercado

O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (3/11) pelo Banco Central mostrou uma deterioração generalizada das expectativas do mercado, com elevação das projeções para inflação, câmbio e Selic em todas as janelas temporais analisadas e redução das previsões para o crescimento da economia entre 2026 e 2028. Apenas a projeção do PIB de 2029 permaneceu estável (ver quadro).

O Focus é elaborado semanalmente pelo Banco Central a partir das projeções de cerca de 170 instituições do mercado financeiro, incluindo bancos, gestoras de recursos, consultorias, associações de classe e fundos de pensão. O levantamento compara as medianas das previsões atuais com as da semana anterior para IPCA, PIB, câmbio e Selic.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 voltou a subir, de 5,19% para 5,22%, ficando 0,72 ponto percentual acima do teto da meta, de 4,50%. Para 2027, horizonte relevante para as decisões de política monetária, a previsão saltou de 4,34% para 4,76%, ultrapassando o teto da meta em 0,26 ponto percentual. As projeções para 2028 e 2029 também avançaram, para 4% e 3,98%, respectivamente.

Em sentido oposto, a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) recuou pela terceira semana consecutiva em 2026 e 2027. A projeção caiu de 1,80% para 1,76% neste ano e de 1,31% para 1,20% no próximo. Para 2028, diminuiu de 1,81% para 1,80%, enquanto a previsão para 2029 permaneceu em 2%.

As projeções para o dólar subiram em todas as janelas. Para o encerramento de 2026, a cotação esperada aumentou de R$ 5,05 para R$ 5,34. Para 2027, avançou de R$ 5,15 para R$ 5,40. As previsões passaram ainda para R$ 5,40 em 2028 e R$ 5,45 em 2029.

O mercado também elevou as projeções para a Selic em todos os períodos. A previsão para o encerramento de 2026 subiu de 13,25% para 13,50% ao ano. Para 2027, aumentou de 11,75% para 12,50%; para 2028, de 10% para 11%; e, para 2029, de 10% para 10,25%.