Focus indica alta da inflação até 2028 com piora do cenário

As expectativas de inflação voltaram a subir de forma disseminada no mercado brasileiro, alcançando os principais horizontes de projeção, que vão até 2028. O movimento reflete, entre outros fatores, a elevação das incertezas no cenário internacional, em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio.
O Relatório Focus é divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central do Brasil e reúne a mediana das projeções de cerca de 170 instituições financeiras para os principais indicadores da economia. As estimativas para o ano corrente e os três seguintes são comparadas semanalmente, permitindo acompanhar a evolução das expectativas do mercado.
Para 2026, a projeção do IPCA subiu de 4,17% para 4,31%, acumulando três semanas consecutivas de alta. Para 2027, a estimativa avançou de 3,80% para 3,84%, enquanto para 2028 houve nova elevação, de 3,50% para 3,57%, indicando deterioração mais ampla das expectativas inflacionárias. Para 2029, a taxa foi mantida em 3,50%, pela 30ª semana consecutiva.
No mesmo levantamento, a projeção para o PIB de 2026 foi elevada de 1,84% para 1,85%, também em trajetória recente de alta. Para os anos seguintes, as estimativas permanecem estáveis em 1,80% para 2027 e 2,00% para 2028 e 2029, sugerindo um cenário de crescimento moderado e sem mudanças relevantes.
No câmbio, as expectativas permaneceram estáveis nas quatro janelas. A projeção para o dólar ao fim de 2026 é de R$ 5,40, e para 2027, de R$ 5,45. Já para 2028 e 2029, a moeda norte-americana segue projetada em R$ 5,50.
A Selic esperada para o fim de 2026 foi mantida em 12,50%, interrompendo a sequência recente de altas. Para os anos seguintes, as projeções seguem relativamente ancoradas, com a taxa estimada em 10,50% para 2027, 10,00% para 2028 e 9,75% para 2029.