Focus eleva IPCA e Selic em 2026 e mantém acomodação adiante

Os analistas do mercado financeiro voltaram a elevar as projeções para a inflação e os juros no curto prazo no Boletim Focus do Banco Central, reforçando a pressão sobre o horizonte mais imediato da política monetária. Para 2026, a mediana do IPCA subiu de 4,91% para 4,92%, acumulando dez semanas consecutivas de alta, enquanto a estimativa para a Selic no fim do ano avançou de 13,00% para 13,25%. O movimento mantém a deterioração concentrada no curto prazo (ver quadro abaixo).

Ao mesmo tempo, o quadro para os anos seguintes segue mais comportado. A projeção para o IPCA de 2027 ficou estável em 4,00%, a de 2028 teve ajuste marginal, de 3,64% para 3,65%, e a de 2029 permaneceu em 3,50%. No caso da Selic, a estimativa para 2027 foi mantida em 11,25%, enquanto as de 2028 e 2029 continuaram em 10,00%. A leitura é de que, apesar da nova piora no curto prazo, o mercado ainda trabalha com acomodação gradual da inflação e dos juros no médio e no longo prazo.

Os demais indicadores ficaram estáveis em 2026. A projeção para o PIB foi mantida em 1,85%, e a do câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar. Assim, as mudanças da semana ficaram concentradas justamente nas expectativas para inflação e juros no horizonte mais próximo.

Nos anos seguintes, porém, PIB e câmbio passaram a mostrar trajetórias distintas. A projeção de crescimento para 2027 subiu de 1,76% para 1,77% e, para 2028 e 2029, seguiu em 2,00%, sugerindo um cenário de atividade mais firme adiante. Já no câmbio, a estimativa caiu de R$ 5,30 para R$ 5,27 em 2027 e de R$ 5,35 para R$ 5,34 em 2028, mas ficou em R$ 5,40 para 2029, desenhando um comportamento diferente ao longo do horizonte projetado.

No conjunto, o Focus mostra um mercado ainda mais preocupado com a inflação e os juros de curto prazo, ao mesmo tempo em que preserva uma visão mais estável para os anos seguintes. PIB e câmbio, por sua vez, ficaram parados em 2026, mas seguem trajetórias próprias no médio e no longo prazo, sem alterar a percepção de acomodação do quadro macroeconômico mais à frente.