
Os analistas do mercado financeiro voltaram a elevar as projeções para a inflação no curto e no médio prazo no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (25/6) pelo Banco Central. Para 2026, a mediana do IPCA subiu de 4,92% para 5,04%, acumulando 11 semanas consecutivas de alta e reforçando a piora das expectativas para o horizonte mais próximo. Para 2027, a projeção também avançou, ainda que de forma marginal, de 4,00% para 4,01%, indicando que a pressão inflacionária continua se espalhando para o ano seguinte (ver quadro abaixo).
O movimento reforça a leitura de que a inflação segue pressionando o horizonte mais relevante da política monetária. No caso de 2026, a nova alta chama atenção não apenas pelo tamanho, mas também pela persistência da sequência de revisões para cima. Já em 2027, embora o ajuste tenha sido pequeno, ele interrompe a estabilidade da semana anterior e confirma que a acomodação ainda não chegou ao médio prazo.
A Selic, por sua vez, ficou estável em 13,25% para 2026 e em 11,25% para 2027. Ainda assim, a manutenção desses níveis mostra que o mercado segue trabalhando com juros parados em um patamar mais alto do que o projetado poucas semanas atrás. Há quatro semanas, as estimativas eram de 13,00% para 2026 e 11,00% para 2027, o que evidencia a consolidação de uma curva mais elevada para os juros básicos.
Nos horizontes mais longos, o quadro continuou mais acomodado. O IPCA de 2028 permaneceu em 3,65%, e o de 2029 seguiu em 3,50%. Também não houve mudança nas projeções da Selic para esses anos, mantidas em 10,00% tanto para 2028 quanto para 2029.
Entre os demais indicadores, o PIB de 2026 subiu de 1,85% para 1,89%, enquanto o de 2027 recuou de 1,77% para 1,70%. No câmbio, as projeções seguiram em queda: o dólar esperado para 2026 passou de R$ 5,20 para R$ 5,17, o de 2027 caiu de R$ 5,27 para R$ 5,26 e o de 2028 recuou de R$ 5,34 para R$ 5,30. Para 2029, a estimativa permaneceu em R$ 5,40.
