
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, em reunião realizada nesta quarta-feira (4/11) manter a Taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão surpreendeu parte do mercado financeiro, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual, embora algumas instituições já apostassem na manutenção da taxa.
Entre os fatores que levaram o Copom a adotar uma postura mais cautelosa estão o agravamento da guerra no Oriente Médio, a pressão sobre os preços do petróleo, a política monetária mais restritiva nas economias avançadas e a maior volatilidade cambial. Segundo o comunicado, esse cenário exige cautela dos países emergentes diante do aumento das oscilações nos preços dos ativos e das commodities.
No ambiente doméstico, os indicadores apontam uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica, principalmente nos setores mais cíclicos. O mercado de trabalho permanece resiliente, mas apresenta sinais de desaquecimento. Ao mesmo tempo, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram e permanecem acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus se afastaram ainda mais da meta desde a reunião anterior, alcançando 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção do próprio Copom para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, subiu para 3,5%.
O Comitê destacou, entre os riscos de alta, a possibilidade de uma desancoragem mais prolongada das expectativas de inflação, com efeitos secundários dos choques sobre o petróleo e seus derivados, além dos impactos climáticos na produtividade agrícola e nos custos de energia. Também foram mencionadas a resiliência da inflação de serviços, a depreciação persistente do câmbio e eventuais estímulos adicionais ao consumo.
Segundo o Copom, a manutenção da Selic em 13,75% é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta. O colegiado considera que a combinação de juros ainda substancialmente contracionistas, aumento das incertezas, expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração da atividade econômica cria um cenário desafiador para a política monetária.
“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado