Copom reduz Selic em 0,25 pp, mas mantém cautela com inflação

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (29/4) a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão foi unânime e confirmou a expectativa majoritária do mercado, de uma redução moderada devido ao aumento das incertezas provocado pelos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços de commodities, especialmente petróleo.

No comunicado, o Copom informou que decidiu dar sequência ao ciclo de “calibração” da política monetária, iniciado na reunião anterior. Segundo o BC, o período prolongado de juros em nível contracionista já produziu evidências de transmissão para a economia, com desaceleração gradual da atividade, abrindo espaço para ajustes na Selic. Ao mesmo tempo, o comitê afirmou que os próximos passos dependerão de novas informações sobre a profundidade e a duração dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos diretos e indiretos sobre a inflação.

A decisão ocorre em um ambiente de maior pressão inflacionária. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, acelerou para 0,89% em abril, levando o acumulado em 12 meses a 4,37%, ante 3,90% em março. O IPCA cheio de abril será divulgado em 12 de maio. Pelo regime de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, o Banco Central deve perseguir inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece teto de 4,5%.

A Selic ficou em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, maior patamar em quase 20 anos. O ciclo de cortes foi retomado na reunião de março, quando a taxa caiu para 14,75% ao ano, e teve continuidade agora com a redução para 14,50%. Mesmo com o novo corte, a taxa básica permanece em nível elevado, refletindo a preocupação do BC com a convergência da inflação à meta e com a deterioração das expectativas.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de março, o Banco Central elevou de 3,5% para 3,6% sua projeção para o IPCA de 2026, estimativa que poderá ser revista na próxima edição do documento, prevista para o fim de junho. O BC também manteve em 1,6% a projeção de crescimento do PIB neste ano. As estimativas do mercado, porém, estão mais pessimistas para a inflação: o boletim Focus divulgado em 27 de abril projeta IPCA de 4,86% em 2026, acima do teto da meta, e crescimento de 1,85% para o PIB.