Anbima projeta Selic em 13% ao final do ano, com cortes menores

O Grupo Consultivo Macroeconômico da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), formado por 26 economistas de instituições associadas, projeta a taxa Selic em 13% ao final de 2026. Segundo o grupo, o Copom deve reduzir a taxa para 14,25% na reunião de junho, para 14% em agosto, para 13,50% em setembro e para 13,25% em novembro, encerrando o ano em 13%.

A decisão do Copom desta quarta-feira (29/4), de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, já era esperada pelo grupo devido “às incertezas do ambiente externo com as tensões geopolíticas e seus possíveis efeitos no curto e médio prazo”, explica o coordenador do grupo, Fernando Honorato. Segundo ele, “o Banco Central tende a avançar de forma mais cautelosa nos cortes de juros, até que o cenário se torne mais claro”.

Na avaliação do grupo, a projeção para a inflação medida pelo IPCA passou de 3,9% para 4,9%. Já a taxa de câmbio deve encerrar dezembro em R$ 5,30, abaixo dos R$ 5,40 projetados anteriormente. “Além da manutenção do preço do petróleo em patamar elevado, o Brasil se tornou mais atrativo para o investidor estrangeiro em função do conflito no Oriente Médio. Logo, a maior entrada de dólares no país pode sustentar a valorização do real ao longo do ano”, afirma Honorato.

A projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 recuou de 1,84% para 1,80%. Para o primeiro trimestre, o grupo prevê expansão de 1%, seguida de altas de 0,40% no segundo, 0,30% no terceiro e 0,40% no quarto trimestre.

Em relação à política fiscal, os economistas avaliam que a dívida bruta do setor público em 2026 ficará em 83,4% do PIB, ligeiramente abaixo da projeção anterior, de 83,6%. A estimativa para o déficit primário permaneceu em 0,50% do PIB.