Edição 199
Como faz todos os anos, INVESTIDOR INSTITUCIONAL traz nesta edição de janeiro uma coletânea de artigos de líderes dos segmentos acompanhados pela revista, dentro do amplo mercado das finanças profissionais. Difícil foi selecionar os nomes que comporiam esse painel, desenhado com o objetivo de dar aos nossos leitores uma visão panorâmica das perspectivas que se desenham para o ano de 2009 no que se refere a investimentos. Optamos por escolher nomes de líderes com forte influência nos seus segmentos e respeito dos seus pares.
Como não podia deixar de ser, as projeções para 2009 estão baseadas fortemente no que aconteceu no ano de 2008, sobretudo a partir de setembro, quando a crise financeira do subprime começou a fazer vítimas entre as grandes instituições financeiras do mundo desenvolvido. Nomes que pareciam indestrutíveis e que eram a cara das finanças corporativas
mundiais, como o Lehman Brothers, começaram a desmoronar. Junto com ele, muitos investidores de peso tiveram pesados prejuízos e muitos ainda terão passivos a registrar em 2009.
“Os fundos de pensão brasileiros, com sua visão de investidores de longo prazo, têm melhores condições para recuperarse das variações negativas sofridas em seus patrimônios”, analisa em seu artigo o presidente da Abrapp, José de Souza Mendonça. Segundo ele, os investimentos dos fundos de pensão brasileiros em “papéis representativos de risco privado
ainda são proporcionalmente pequenos”.
Para o presidente da Funcef, Guilherme Narciso de Lacerda, “a expectativa é de continuarmos convivendo em 2009 com volatilidade alta nos mercados. Será recomendável que investidores institucionais, como são os fundos de pensão, passem a olhar investimentos associados a projetos atrativos, vinculados a financiamentos corporativos privados.”
Em seu artigo, o presidente da Abvcap, a associação que reúne os gestores de fundos de private equity, Luis Eugênio Figueiredo, dá os números do setor que representa: “No Brasil, a indústria de private equity e venture capital atingiu em 30 de junho de 2008 a impressiva soma de U$ 26,6 bilhões em capital comprometido, crescendo à taxa média de mais 50%
ao ano desde 2004″, diz. Ainda segundo Figueiredo, o segmento “possui todas as condições para continuar apresentando altas taxas de crescimento nos próximos anos”. Para o presidente da Andima, Alfredo Neves Penteado Moraes, “os balanços dos fatores favoráveis e dos pontos de atenção sugerem que o ano de 2009 será um ano de ajustes e transição”.
O vice-presidente da área de investimentos do Itaú, Alfredo Setúbal, é cauteloso. “O ano de 2009 deverá ser de crescimento menor, mais para 2% do que para 4%, com uma taxa de câmbio real bem mais desvalorizada que refletirá a mudança de dinâmica das contas externas, não apenas no lado financeiro mas também na piora dos resultados em transações correntes que se seguirá à queda de preços e volumes de exportação. Para os gestores de ativos, tratase, sem dúvida, de um cenário particularmente desafiador. A curto prazo, a incerteza predomina”.
A visão de um cenário nada otimista é compartilhada por Robert van Dijk, diretor superintendente da Bradesco Asset Management (Bram). “À luz dos acontecimentos mais recentes está claro que o processo de alavancagem que caracterizou o período de 2003 a 2007 foi o mais acentuado em décadas. Sendo assim, tudo leva a crer que a correção tende a ser dolorosa e prolongada”. Entretanto, essas correções ajudarão a melhorar a indústria, na opinião de Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management. “Sempre nas crises, em qualquer setor, depois de uma saudável depuração, a qualidade tende a prevalecer sobre a quantidade”, diz Póvoa.
Na opinião do presidente da Petros, Wagner Pinheiro, “o desafio do ano será o de aprimorar análise técnica para decisão do investimento. Assim, para prazos de até cinco anos, a renda fixa privada pode ser atrativa. Já para períodos mais longos o investimento em ativos reais, como ações em Bolsa, imóveis, apresentam diversas possibilidades de bons investimentos com retornos convidativos a riscos moderados”. Para o presidente da Rio Previdência, Wilson Risolia, como resultado da crise o mundo mudará para melhor, com “regras mais sólidas, alocações mais responsáveis, fiscalização e governança, gestão dos gastos”.