Gestores globais de olho nas fundações do País | Novas regras par

Edição 208

Enquanto o Brasil espera pelas Olimpíadas de 2016, gestores globais de capitais se preparam para entrar de vez no mercado de fundos de pensão do País muito antes disso. Com os aumentos que o governo brasileiro concedeu aos limites de investimentos, a enorme indústria de pensões de R$ 450 bilhões (US$ 252 bilhões) administrada internamente vai precisar buscar no exterior o expertise em novas classes de ativos, afirmam consultores e gestores. Esses administradores – especialmente aqueles ligados aos bancos que já cuidam dos ativos dos fundos de pensão brasileiros – terão preferência na disputa.Entre os gestores globais de fundos que estão se dispondo a tomar conta de parte dos recursos que os fundos de pensão brasileiros virão a colocar no exterior estão o HSBC Global Asset Management, o BNY Mellon ARX Investimentos, o Goldman Sachs Asset Management Brazil e o Western Asset Management Co. DTVM Ltda. A AllianceBernstein LP e a Black Rock Inc. também podem se juntar à competição. A porta-voz da Black Rock confirmou os planos da administradora de desenvolver produtos institucionais no Brasil em um futuro próximo. Já a porta-voz da AllianceBernstein não foi encontrada para comentar o tema.Mesmo com a flexibilização das regras, no entanto, os executivos das gestoras vão precisar ser pacientes. Segundo especialistas, os dirigentes dos fundos de pensão brasileiros, desacostumados com essas novas classes de ativos, vão precisar de cerca de seis meses a um ano para estarem prontos para começar a mudar o destino de seus investimentos. “Todos esses grandes gestores globais têm um olho atento ao mercado e provavelmente possuem planos de vender seus produtos por aqui”, disse Lauro Araujo, diretor de investimentos da Mercer LLC.A nova regulação que trata dos investimentos dos fundos de pensão brasileiros foi aprovada em 24 de setembro pelo Conselho Monetário Nacional – CMN (leia mais na página 36) e inclui o aumento do limite máximo para aplicação em ativos de renda variável de 50% para 70% dos recursos das fundações; a elevação do teto de fundos multimercado de 3% para 10%; e a possibilidade de alocação de 10% em investimentos no exterior. Para especialistas, as mudanças foram estimuladas pela necessidade dos fundos de investir em ativos de maior risco com maiores expectativas de retorno.
Mudança cultural – Tradicionalmente, os títulos públicos federais vinham sendo responsáveis por mais de dois terços das aplicações das entidades fechadas de previdência complementar, com os rendimentos de títulos ligados à inflação excedendo as estimativas atuariais dos fundos de pensão quanto aos investimentos necessários para honrar seus compromissos. A partir de agora, no entanto, a queda na taxa de juros vai trazer os ganhos reais dos títulos públicos do governo brasileiro para níveis abaixo da estimativa atuarial de rendimento dos fundos de pensão. “Em uma perspectiva de médio prazo, o dinheiro que é gerido internamente terá de migrar para classes de ativos consideradas mais sofisticadas”, tais como ações e fundos multimercado, disse Mario S.Felisberto, chefe de investimentos do HSBC Global Asset Management no Brasil.”Até mesmo os três maiores fundos de pensão do Brasil vão ter que terceirizar seus ativos se a taxa de juros continuar a cair”, opinou Zeca Oliveira, CEO da BNY Mellon no Brasil. “A grande questão é o tempo. Eles não estão totalmente preparados para mudar, para fazer uma grande troca”, completou Araujo, da Mercer.Especialistas dizem que os fundos de pensão têm um longo caminho a percorrer antes mesmo de alcançar o limite anterior de 50% destinado a ações. Atualmente, a alocação agregada entre os fundos de pensão brasileiros para ações é de 30%. Entretanto, subtraindo-se os ativos dos três maiores fundos de pensão, menos de 20% do total de ativos vão para esse tipo de ações.Para Araujo, da Mercer, os fundos de pensão “logo mais estarão investindo no exterior”. Mas os agentes fiduciários terão de caminhar a passos curtos, fazendo primeiro investimentos iniciais, mais como uma forma de entender os processos do que de aumentar os ganhos significativamente.