O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta segunda-feira (26/10) em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, na maior baixa desde a pandemia da Covid-19, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva contrariar o cenário precificado por parte do mercado. A bolsa brasileira operou em descompasso com as bolsas de Nova York, onde o Dow Jones subiu 0,28%, o S&P 500 avançou 0,70% e o Nasdaq ganhou 0,83%.
Os investidores desmontaram posições construídas desde o primeiro turno com base na expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de mudanças na condução da política fiscal. A reversão elevou os prêmios de risco e levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de quedas acentuadas.
Os bancos concentraram as maiores perdas entre as ações de grande peso. Banco do Brasil despencou 29,33%, BTG Pactual recuou 24,83%, Bradesco caiu 21,70%, Itaú perdeu 13,66% e Santander teve baixa de 4,47%. Petrobras ON caiu 6,81% e Petrobras PN recuou 8,18%, acompanhando a queda do petróleo. Na direção contrária, a Vale avançou 4,01%, favorecida pela valorização do dólar diante do real.
O mercado passou a direcionar a atenção para a composição da equipe econômica e as sinalizações sobre a política fiscal do próximo mandato. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o vice-presidente Geraldo Alckmin aparecem entre os nomes cogitados para o Ministério da Fazenda. Com a queda, o Ibovespa apagou os ganhos de outubro e acumula baixa de 5,22% no mês. Em 2026, ainda sobe 9,61%.
Câmbio – O dólar subiu 8,21%, fechando o dia em R$ 5,40, na maior valorização desde 13 de janeiro de 1999. O movimento refletiu a reversão das posições montadas antes da eleição e o aumento dos prêmios de risco fiscal e político após a vitória de Lula.
A disparada levou a B3 a ampliar em duas etapas o limite superior de negociação do dólar futuro. O percentual passou inicialmente de 6% para 8,4% e depois foi elevado para 12%. O contrato com vencimento em novembro movimentou mais de US$ 31 bilhões durante a sessão.
Apesar da forte oscilação, participantes do mercado não identificaram escassez de dólares ou problemas de liquidez que justificassem uma intervenção do Banco Central. Em outubro, a moeda norte-americana acumula alta de 4,40%. No ano, ainda recua 1,57% diante do real.