Pesquisa realizada pela Abrapp em parceria com a Itajubá Investimentos mostra que a participação da renda fixa nas carteiras das entidades fechadas de previdência complementar (EFPCs) aumentou de 56% para 86% nos últimos 13 anos. Os dados fazem parte do levantamento Raio X dos Investimentos das EFPCs 2026.
A pesquisa reuniu entidades que administravam R$ 461 bilhões em dezembro de 2025, volume equivalente a 34% dos ativos do sistema. O levantamento analisou a composição das carteiras e os movimentos realizados em períodos de 12 e 36 meses, além da evolução de longo prazo das alocações.
Para o presidente da Itajubá Investimentos, Carlos Garcia, a atratividade da renda fixa decorre da combinação entre juros elevados e a disponibilidade de títulos indexados à inflação. Segundo ele, cerca de um quarto da dívida pública brasileira está vinculado a índices de preços.
Embora favorável às entidades, essa combinação não está isenta de riscos. Garcia destacou as incertezas associadas ao período eleitoral, diante das diferenças entre as propostas econômicas dos candidatos à Presidência da República.
O avanço da renda fixa ocorreu em paralelo à retração das demais classes. Em 13 anos, a participação da renda variável caiu de 34% para 4,7% das carteiras. As alocações em imóveis e fundos imobiliários recuaram de 5% para 1,7%, enquanto multimercados estruturados e fundos de investimento em participações (FIPs) passaram de 4% para 3,7%. Os investimentos no exterior foram a exceção, com alta de 1,1% para 1,9%.
A redução da exposição à renda variável apareceu nas três modalidades de planos analisadas. Nos planos de benefício definido (BD), a participação caiu de 11% para 4%; nos de contribuição definida (CD), de 7% para 5%; e nos de contribuição variável (CV), de 11% para 6%. Para Garcia, a queda chama atenção principalmente nos planos CD. “Não deveria atingir os CD, mas é o que acontece”, afirmou.
Títulos públicos – Cerca de 90% das carteiras de renda fixa são formadas por títulos públicos, principalmente NTN-Bs indexadas à inflação e LFTs pós-fixadas. Do total desses papéis, 51% possuem vencimento superior a cinco anos.
Nos planos BD, 77% dos títulos públicos estão marcados na curva. A prática também avançou nos planos CD depois que mudanças regulatórias passaram a permitir esse tipo de contabilização na modalidade.
O crédito privado representa os 10% restantes das carteiras de renda fixa. Dentro dessa parcela, CDBs e letras financeiras ganharam espaço em relação às debêntures nos planos BD e CD.
Diversificação – Mesmo com o encolhimento da renda variável, houve uma mudança na forma de exposição à classe. A parcela destinada à gestão passiva e indexada, incluindo ETFs, aumentou de 15% para 36% dos investimentos em ações nos últimos 13 anos.
Entre os multimercados estruturados, os fundos macro respondem por 68% dos recursos. No exterior, os fundos com mandato global ganharam espaço em relação aos produtos concentrados nos Estados Unidos. As estratégias globais respondem atualmente por 67% das alocações internacionais, enquanto as direcionadas ao mercado norte-americano representam 25%.
Em private equity, 49% das entidades pesquisadas possuem FIPs em carteira e, entre elas, 58% se dizem satisfeitas com os investimentos. O cenário macroeconômico e as dificuldades para executar a estratégia de saída dessa classe aparecem como as principais preocupações, ambos citados por 58% das respondentes.
Intenção e alocação– A pesquisa também comparou as intenções de investimento declaradas pelas entidades em 2023 para os 36 meses seguintes com os movimentos efetivamente realizados. Das seis classes analisadas, as projeções se confirmaram apenas em renda fixa e investimentos no exterior.