Índice global de previdência da Marsh mostra Brasil no nível C

Estudo da Marsh sobre os sistemas previdenciários mundiais classificou o Brasil no nível C, em uma escala que vai de A a E. Realizado em parceria com o CFA Institute, o levantamento compara 55 sistemas de renda de aposentadoria, que abrangem 66% da população mundial. Para elaborar a classificação, o estudo considerou mais de 50 indicadores, distribuídos em três pilares: adequação, com peso de 40%; sustentabilidade, com 35%; e integridade, com 25%.

A avaliação de adequação considera aspectos como valor dos benefícios, desenho do sistema, nível de poupança e apoio governamental. A sustentabilidade analisa cobertura previdenciária, ativos acumulados, demografia, despesas públicas, dívida governamental e crescimento econômico. Já a integridade leva em conta regulação, governança, proteção dos participantes, comunicação e custos operacionais.

Dos 55 sistemas avaliados, seis foram classificados no nível A, quatro no nível B+, 18 no nível B, oito no nível C+, 15 no nível C e quatro no nível D. Nenhum recebeu a classificação E. Os sistemas enquadrados no nível C, como o brasileiro, possuem características positivas, mas também apresentam riscos ou deficiências relevantes que podem comprometer sua eficácia ou sustentabilidade no longo prazo.

O Brasil obteve 57 pontos e apareceu na 41ª posição, empatado com Botsuana e abaixo da média global de 65,3 pontos. O principal ponto fraco do país foi a sustentabilidade: foram 32,1 pontos, ante uma média de 55,4, o que colocou o sistema brasileiro no nível E nesse pilar específico.

Em adequação, o Brasil alcançou 69,1 pontos, acima da média global de 66,5, e recebeu a classificação B. Em integridade, obteve 72,6 pontos, também no nível B, embora abaixo da média internacional de 77,2. A classificação geral do país é prejudicada, portanto, principalmente pelas dificuldades para manter o sistema no longo prazo diante das condições demográficas, fiscais e econômicas.

A pontuação brasileira apresentou ligeira melhora em relação a 2025, passando de 56,2 para 57. O avanço foi sustentado pelo indicador de integridade, que subiu de 67,3 para 72,6 pontos. A sustentabilidade teve pequena alta, de 31,8 para 32,1, enquanto a adequação recuou de 70,6 para 69,1.

Na América Latina, o Brasil ficou em sétimo lugar entre os nove sistemas avaliados, à frente apenas do Peru, com 55,7 pontos, e da Argentina, com 43,7. O Chile apresentou o melhor resultado regional, com 79,2 pontos e classificação B+, seguido pelo México, com 71,2, e pelo Uruguai, com 69,7.

A liderança mundial permaneceu com a Holanda, que alcançou 85,8 pontos. Dinamarca, Islândia, Singapura, Israel e Austrália também receberam a classificação A. Os seis sistemas combinam pagamento adequado de benefícios, sustentabilidade financeira e elevados níveis de integridade.

A edição deste ano destaca o impacto do envelhecimento populacional sobre os sistemas previdenciários. A queda da natalidade e o aumento da expectativa de vida elevam o custo dos benefícios e reduzem proporcionalmente a população em idade ativa. Nesse cenário, as idades tradicionais de aposentadoria, de 60 ou 65 anos, estão cada vez menos alinhadas à realidade de vidas mais longas e saudáveis.

O estudo aponta, entre as medidas necessárias, a ampliação da cobertura dos trabalhadores informais, autônomos e de outras formas não tradicionais de ocupação, o fortalecimento da poupança previdenciária e a adoção de modelos mais flexíveis de transição entre o trabalho e a aposentadoria.