Mercado não tem consenso sobre continuidade dos cortes da Selic

A redução da Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, confirmou as expectativas do mercado e foi interpretada como mais um passo moderado no processo de flexibilização monetária. Apesar do consenso sobre a decisão, os analistas divergem quanto à continuidade dos cortes: parte prevê uma pausa já na próxima reunião, enquanto outros esperam reduções de igual magnitude até a taxa chegar a 12% ao ano.

Em comum, as avaliações destacam que o Copom manteve uma comunicação cautelosa e condicionou seus próximos passos à evolução dos dados. A desaceleração da atividade e a melhora da inflação favorecem a flexibilização, mas as expectativas inflacionárias, o ambiente externo, a alta do petróleo e a possibilidade de juros mais elevados nos Estados Unidos limitam o espaço para cortes mais rápidos. Veja o que pensam alguns analistas:

Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú BBA, avaliou que tanto a decisão quanto a comunicação vieram em linha com o esperado e apresentaram poucas mudanças em relação à reunião anterior. Segundo ele, o Banco Central demonstrou maior confiança na desaceleração da atividade, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, mas manteve inalterados o diagnóstico sobre a inflação, o balanço de riscos e a projeção de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028. O cenário-base do banco prevê uma pausa no ciclo de cortes na próxima reunião, condicionada aos dados divulgados até lá.

André Loes, economista-chefe da Fundação Vivest também destacou que o comunicado trouxe poucas alterações, todas na direção de um cenário mais benigno, embora o balanço de riscos tenha permanecido inalterado. Para ele, a mensagem continua marcada pela cautela e pela dependência dos dados, mas a linguagem adotada pelo Copom apresentou uma suavização adicional. Sua expectativa é de cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, sem interrupção, até a Selic alcançar 12% em agosto do próximo ano.

Volnei Eyng, CEO da Multiplike, afirmou que o tamanho do corte mostra um Banco Central disposto a reduzir os juros sem abandonar a cautela. Segundo ele, a possibilidade de novas altas dos juros americanos, o fortalecimento do dólar e a volatilidade do petróleo limitam o ritmo de flexibilização, mesmo diante da perda de força da atividade brasileira. Eyng avalia que a redução beneficia gradualmente o crédito, o consumo e os investimentos, mas ressalta que seus efeitos não são imediatos nem uniformes e dependem da confirmação da continuidade do ciclo.

Raphael Vieira, head de Investimentos da Arton Advisors, considera que o Copom não encerrou formalmente o ciclo, mas sinalizou que o espaço para novos cortes ficou mais limitado. Em sua avaliação, a autoridade monetária pode fazer uma pausa nas próximas reuniões para analisar os efeitos das reduções já realizadas. Novos cortes permanecem possíveis, mas dependerão de evidências adicionais de convergência da inflação e das expectativas para a meta, enquanto a política monetária deve permanecer contracionista por um período prolongado.