Fundos de pensão ampliam superávit para R$ 24,05 bi em março

As Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) encerraram o primeiro trimestre de 2026 com superávit líquido de R$ 24,05 bilhões, ante R$ 17,69 bilhões em dezembro de 2025. Os dados constam do Relatório Gerencial de Previdência Complementar (RGPC), divulgado pelo Ministério da Previdência Social.

O resultado corresponde à diferença entre o superávit de R$ 46,18 bilhões acumulado por 497 planos e o déficit de R$ 22,13 bilhões de cerca de 198 planos. Em dezembro de 2025, esses valores eram de R$ 39,70 bilhões e R$ 22,01 bilhões, respectivamente.

Os planos de Benefício Definido (BD) sustentaram a maior parte do saldo positivo, com superávit líquido de R$ 21,06 bilhões. Os planos de Contribuição Variável (CV) também fecharam no azul, com aproximadamente R$ 3,68 bilhões, enquanto os de Contribuição Definida (CD) registraram déficit de R$ 691,5 milhões.

O relatório atribui a melhora ao desempenho da bolsa brasileira, que avançou 16,35% no primeiro trimestre de 2026, e dos títulos públicos de longo prazo atrelados à inflação. Os juros elevados favoreceram as aplicações de curto prazo, enquanto a redução das taxas de longo prazo contribuiu para a valorização dos títulos com vencimentos mais distantes.

Patrimônio – O patrimônio da previdência complementar aberta e fechada chegou a R$ 3,35 trilhões em março, o equivalente a 26% do PIB brasileiro e 2,8% acima do registrado no trimestre anterior. Do total, aproximadamente 43% estavam no segmento fechado e 57% no aberto.

Nas EFPC, o patrimônio alcançou R$ 1,44 trilhão, ante R$ 1,41 trilhão em dezembro, com crescimento de 2,1%. Os planos BD concentravam 54% dos recursos, os CV, 30%, e os CD, 16%. O segmento aberto somava R$ 1,91 trilhão, com expansão de 2,7% no trimestre. Os VGBL respondiam por 80% desse patrimônio, os PGBL, por 16%, e os planos tradicionais, por 4%.

O relatório também destaca a diferença de concentração entre os dois mercados: as dez maiores entidades fechadas reuniam 57% do patrimônio da previdência privada, enquanto as dez maiores do segmento aberto respondiam por 97%.

Investimentos – Os investimentos da previdência complementar aberta e fechada totalizavam R$ 3,27 trilhões em março. Nas EFPC, o montante chegou a R$ 1,36 trilhão, frente aos R$ 1,33 trilhão de dezembro, com aproximadamente R$ 950 bilhões aplicados em títulos públicos federais.

Esses papéis representavam cerca de 70% da carteira do segmento fechado. Os demais ativos de renda fixa respondiam por 16%, a renda variável, por 8%, os imóveis, por 2%, e os outros investimentos, por aproximadamente 4%. Nesse último grupo, o relatório identifica R$ 28,5 bilhões em operações com participantes e R$ 26,2 bilhões em cotas de fundos.

A composição dos títulos públicos evidencia diferenças entre os segmentos. Nas EFPC, aproximadamente 51,4% desses papéis tinham vencimento superior a cinco anos e 76,8% eram indexados à inflação. No segmento aberto, cerca de 88% venciam em até cinco anos e 70,3% estavam atrelados à Selic, refletindo uma carteira de prazo mais curto.

Rentabilidade – A rentabilidade nominal estimada das EFPC foi de 7,7% no primeiro trimestre, acima do CDI de 3,4%. Os planos BD tiveram retorno de 8,7%, os CD, de 6,8%, e os CV, de 6,6%.

Em 2025, a rentabilidade nominal estimada das EFPC foi de 9,6%, abaixo do CDI de 14,3%. Por modalidade, os planos BD tiveram retorno de 9,9%, os CD, de 10,2%, e os CV, de 8,8%, segundo o item 7.9 do relatório.

Custeio administrativo – A taxa média estimada de administração das EFPC ficou em 0,28% ao ano, ante 1,2% no segmento aberto. Por modalidade, a taxa era de 0,23% nos planos BD, de 0,30% nos CV e de 0,39% nos CD.

O relatório reforça a importância da escala para diluir os custos administrativos. Na faixa de até mil participantes, a taxa média de administração alcançava aproximadamente 1% ao ano, enquanto na faixa acima de 100 mil participantes ficava em cerca de 0,2%.

A taxa média estimada de carregamento das EFPC, calculada sobre a soma das contribuições e dos benefícios, era de 2,8%. Para permitir a comparação, o RGPC estima as taxas do segmento fechado como se o custeio fosse financiado exclusivamente pela administração ou pelo carregamento, e não pela cobrança cumulativa das duas.

Planos e entidades – O segmento fechado manteve no primeiro trimestre deste ano os mesmos  números registrados ao final de 2025, com 264 entidades e 1.130 planos de benefícios. Desse total, 518 eram planos CD, 323 eram CV e 289, BD. O sistema reunia 3.999 patrocinadores e 409 instituidores, também sem alteração em relação a dezembro.

Segundo o RGPC, a tendência de redução do número de entidades e relativa estabilidade na quantidade de planos reflete a adesão de patrocinadores e instituidores a planos multipatrocinados já existentes, em busca de ganhos de escala e menores custos administrativos.

Servidores públicos – O patrimônio dos planos voltados aos servidores públicos da União, dos estados e dos municípios alcançou R$ 30,62 bilhões em março, ante R$ 28,84 bilhões em dezembro. Desse total, R$ 22,21 bilhões estavam nos planos da União e R$ 8,41 bilhões nos estaduais e municipais.

O relatório informa que 25 entidades administravam 49 planos para esse público, reunindo aproximadamente 1.237 patrocinadores. A cobertura era de cerca de 300 mil servidores, com a informação sobre participantes tendo dezembro de 2025 como referência.

Na seção sobre implantação do regime pelos entes subnacionais, atualizada em 17 de agosto de 2026, o RGPC aponta que 2.045 entes com Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) já haviam aprovado leis de instituição da previdência complementar. Desse total, 933 tinham convênios de adesão aprovados pela Previc.

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