Ibovespa salta 3,05% com trade eleitoral; dólar cai a R$ 5,11

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta quarta-feira (2/9) em alta de 3,05%, aos 185.205,09 pontos, no 11º pregão consecutivo de valorização e no maior patamar desde maio, impulsionado pelo chamado “trade eleitoral” e pelo ingresso de recursos estrangeiros. Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,56%, o S&P 500 avançou 0,46% e o Nasdaq ganhou 0,45%.

A valorização ganhou força após a pesquisa Genial/Quaest mostrar empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno. Lula apareceu com 42% das intenções de voto, ante 41% de Flávio. Parte do mercado passou a considerar uma possível vitória da oposição como perspectiva de mudança na política econômica e de maior atenção às contas públicas.

O movimento também apareceu nos ativos brasileiros negociados no exterior. O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, avançou 4,16%, enquanto o EEM, que reúne ações de mercados emergentes, subiu 0,57%.

O setor financeiro esteve entre os destaques do pregão. Banco do Brasil disparou 5,50%, Itaú avançou 3,84%, BTG Pactual ganhou 3,06% e Bradesco subiu 2,13%.

A Vale avançou 3,19%, apesar da queda de 1,11% do minério de ferro. Petrobras ON subiu 2,23% e Petrobras PN ganhou 2,84%, acompanhando a valorização de cerca de 1% do petróleo no mercado internacional, em meio às tensões no Oriente Médio e às incertezas sobre o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz.

A produção industrial brasileira também permaneceu no radar. O setor cresceu 0,2% de junho para julho, após dois meses consecutivos de queda. No acumulado de 2026, a produção industrial avançou 1,1% e, em 12 meses, registrou expansão de 0,6%.

O Ibovespa oscilou entre 179.733,57 e 186.028,06 pontos. O volume financeiro negociado na B3 foi de R$ 39,6 bilhões.

No câmbio, o dólar caiu 0,92%, fechando o dia em R$ 5,11, na terceira desvalorização consecutiva. O movimento refletiu a entrada de recursos estrangeiros e a redução do prêmio de risco dos ativos brasileiros diante da percepção de uma disputa eleitoral mais acirrada.

O real avançou mesmo com a valorização do dólar no exterior e a alta dos rendimentos dos Treasuries. A recuperação do petróleo também favoreceu a moeda brasileira, pois a alta da commodity pode melhorar os termos de troca do país, relação entre os preços dos produtos exportados e importados, e ampliar a entrada de dólares.

O DXY, índice que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operava em leve queda, próximo dos 99,500 pontos, no fim da tarde. O movimento foi influenciado pela valorização de quase 0,90% do iene, após um dirigente do Banco do Japão sinalizar a possibilidade de elevação dos juros no país.

Nos Estados Unidos, o relatório da ADP mostrou a criação de 38 mil vagas no setor privado em agosto, abaixo das 46,5 mil esperadas e no menor ritmo desde janeiro. Os investidores agora aguardam o payroll de agosto, que será divulgado na sexta-feira (4/9).

O dólar acumula queda de 1,38% nos dois primeiros pregões de setembro, após ter avançado 2,16% em agosto.