Hackers atacam gestoras e instituições financeiras nos EUA

Hackers especializados em extorsão direcionaram ataques a dezenas de instituições financeiras e outras empresas dos Estados Unidos em junho. Entre os alvos estavam gestoras de private equity, fundos de hedge, escritórios de advocacia e agências de classificação de risco, segundo informações do Google e dados analisados pela Reuters.

Foram criados sites falsos para roubar senhas de funcionários de empresas como Blackstone, Bridgewater Associates, Apollo Global Management, Bain Capital, KKR, TPG, CME Group e Moody’s. A presença das companhias nas armadilhas digitais indica tentativas de invasão, mas não comprova que os ataques tenham sido bem-sucedidos.

Segundo o Google, os criminosos operam sob diferentes nomes, entre eles Redact, Pink, Falcon e Helix, aparentemente ligados pelo uso de uma infraestrutura comum. Algumas empresas teriam pago resgates, mas nem o Google nem a Reuters identificaram quais foram efetivamente invadidas.

Os ataques combinam sites fraudulentos com ligações para os celulares pessoais dos funcionários. Fazendo-se passar pelo suporte técnico das empresas — em alguns casos, com a exibição do número verdadeiro do departamento —, os hackers alegam a necessidade urgente de atualizar senhas ou sistemas de autenticação multifatorial.

As vítimas são direcionadas a páginas com endereços semelhantes a “passkeyhelpdesk” ou “secure-passkey”. Ao inserir suas credenciais, entregam aos criminosos a senha e o código de segurança enviado por mensagem ou gerado por aplicativo. A conta pode ser tomada antes mesmo do término da ligação.

“Como a cerca agora é tão sofisticada e de alta tecnologia, só precisamos enganar o guarda para que ele abra a porta”, afirma Lee Clark, gerente de inteligência contra ameaças cibernéticas do Retail and Hospitality ISAC. Segundo ele, a exploração do comportamento humano explica a eficácia desse tipo de ataque.

Para Austin Larsen, analista-chefe de ameaças do Grupo de Inteligência de Ameaças do Google, a escolha dos alvos segue uma lógica financeira. Os hackers procuram organizações que detenham informações sensíveis e tenham capacidade para pagar pela não divulgação dos dados roubados.

A Reuters identificou armadilhas direcionadas às empresas ao analisar 72 sites maliciosos relacionados pelo Google. De acordo com Larsen, provavelmente todos foram empregados em tentativas de invasão, embora apenas parte delas possa ter alcançado seu objetivo. “Sofisticada não é a palavra certa. É simplesmente muito eficaz”, diz.

A campanha também atingiu o segmento de fundos de hedge. A Point72 Asset Management comunicou a investidores que havia sido alvo dos criminosos. Two Sigma Investments e Citadel também apareceram nos dados examinados pela Reuters, sem confirmação de que seus sistemas tenham sido comprometidos.