A redução da Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, confirmou as expectativas do mercado e foi interpretada como mais um passo moderado no processo de flexibilização monetária. As análises dos especialistas convergem na avaliação de que a perda de ritmo da atividade econômica e a desaceleração da inflação abriram espaço para o corte, embora os juros permaneçam em patamar bastante restritivo.
Também há consenso de que o Banco Central continuará agindo com cautela e sem assumir compromisso prévio com a extensão do ciclo. A desancoragem das expectativas, a inflação ainda elevada, o mercado de trabalho aquecido e os riscos fiscais e externos devem fazer com que as próximas decisões permaneçam condicionadas aos dados. Embora boa parte dos analistas veja espaço para nova redução em setembro, não há consenso sobre a continuidade dos cortes até o final do ano.
Investidor Institucional publica abaixo os principais pontos destacados por diversos agentes do mercado de investimentos em suas análises sobre a decisão e a comunicação do Copom:
José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos – O comunicado foi mais claro que o da reunião anterior e reconheceu que a política monetária restritiva começa a produzir efeitos sobre a atividade. Apesar da desaceleração da economia, as expectativas de inflação permanecem desancoradas, deixando os próximos passos totalmente em aberto.
André Loes, economista-chefe da Vivest – O comunicado trouxe evidências mais claras de desaceleração, embora mercado de trabalho, inflação e expectativas ainda estejam em níveis desconfortáveis. O tom mais favorável à flexibilização reforça a expectativa de cortes de 0,25 ponto percentual até dezembro, quando a Selic chegaria a 13,25%.
Gabriel Cintra, sócio e CIO da Eleva Invest – O desaquecimento da indústria brasileira no segundo trimestre abriu espaço para novos cortes, mas os riscos para a inflação continuam acima do usual e com assimetria altista. A inflação perdeu força, porém permanece acima do limite superior da meta.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos – A projeção de inflação de 3,2% no horizonte relevante permanece acima da meta de 3%, enquanto a desancoragem das expectativas de longo prazo aumenta o custo da desinflação. O comunicado deixa espaço para mais cortes, mas sem sinalização prévia, e o cenário inicial é de nova redução de 0,25 ponto, para 13,75%.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos – O corte representa uma calibragem prudente, sustentada pela melhora da inflação e pela desaceleração do comércio, dos serviços e da indústria. Uma nova redução em setembro dependerá do comportamento do câmbio, das expectativas, do petróleo e do risco fiscal, podendo ser interrompida caso esses fatores piorem.
Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike – A redução se apoia nos efeitos acumulados dos juros restritivos, na convergência gradual da inflação e na moderação da atividade. O Banco Central continuará decidindo reunião a reunião, atento às expectativas, à inflação de serviços, ao quadro fiscal, aos conflitos no Oriente Médio e aos preços do petróleo.
Gustavo Assis, CEO da Asset – A economia entrou em uma fase de transição, na qual a inflação começa a permitir cortes enquanto a atividade perde força. O principal dilema será conciliar a necessidade doméstica de juros menores com os riscos de alta do petróleo, enfraquecimento do real e choques externos capazes de interromper a flexibilização.
André Nunes de Nunes, economista-chefe do Sicredi – O Copom reconheceu a desaceleração da economia e a melhora da inflação, mas ressaltou o mercado de trabalho aquecido e a desancoragem das expectativas. A projeção é de novo corte de 0,25 ponto em setembro, seguido de pausa nas reuniões de novembro e dezembro, encerrando 2026 com a Selic em 13,75%.
Raphael Vieira, head de Investimentos da Arton Advisors – A decisão reforçou a condução gradual do ciclo, sem indicar uma sequência predeterminada de cortes. Como a redução já estava precificada, o impacto imediato sobre os mercados tende a ser limitado, com as atenções voltadas agora para a atividade, as expectativas de inflação e o cenário fiscal.
Roberto Dumas, estrategista-chefe da GCB Investimentos – A decisão teve como referência principalmente a projeção de inflação de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. A assimetria altista dos riscos, reforçada pelos choques de oferta, pelas expectativas desancoradas e pelo hiato do produto positivo, dificulta a sinalização de novos cortes.