
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade, nesta quarta-feira (5/8), reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão confirmou a expectativa majoritária do mercado, que apostava na continuidade do ciclo de cortes em ritmo moderado, diante da desaceleração da inflação e da atividade econômica, embora as expectativas inflacionárias permaneçam acima da meta.
É a quarta queda consecutiva da taxa básica de 0,25 ponto percentual. O ciclo de cortes moderados começou em março, quando a Selic estava em 15% ao ano, patamar no qual havia permanecido por nove meses, desde junho de 2025.
No comunicado divulgado ao mercado, o Copom afirmou que o corte é compatível com a estratégia de convergência da inflação para próximo da meta ao longo do horizonte relevante. Segundo o comitê, a medida também contribui para suavizar as oscilações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego, sem comprometer o objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços.
Cenários – No cenário internacional, o Copom avaliou que o ambiente permanece incerto diante da indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e das dúvidas relacionadas à política monetária de algumas economias avançadas. Para o comitê, esse quadro exige cautela dos países emergentes, em um ambiente de maior volatilidade nos preços dos ativos e das commodities.
No cenário doméstico, os indicadores divulgados desde a reunião anterior sugerem uma moderação gradual da atividade econômica, embora a economia continue resiliente, com sinais mistos entre os setores. A inflação cheia desacelerou, mas permanece acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes recuaram para um patamar ligeiramente inferior a esse limite.
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus continuam acima da meta, situando-se em 5% para 2026 e 4,2% para 2027. No cenário de referência do Copom, a projeção para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, está em 3,2%.
Riscos – O comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem acima do usual, com assimetria altista. Entre os riscos de alta, destacou uma desancoragem mais prolongada das expectativas, incluindo possíveis efeitos secundários dos choques sobre o petróleo e seus derivados e dos eventos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia.
Também foram citados como riscos de alta uma inflação de serviços mais resistente que a projetada, impactos inflacionários maiores das políticas econômicas interna e externa, inclusive por meio de uma taxa de câmbio persistentemente depreciada, e estímulos à demanda que façam a atividade crescer acima do potencial da economia.
Entre os riscos de baixa, o Copom mencionou uma desaceleração mais acentuada da atividade doméstica, uma perda de ritmo mais pronunciada da economia global em razão dos choques no comércio e no petróleo e uma eventual redução dos preços das commodities.
Fiscal – A política fiscal voltou a ser apontada como um fator relevante para a condução dos juros. Segundo o comunicado, o comitê segue acompanhando os impactos dos desenvolvimentos fiscais sobre a política monetária e os ativos financeiros. O Copom também monitora a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos, que influencia a formação de preços e eleva o custo do processo de desinflação.