O volume de captações no mercado de capitais alcançou R$ 361,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, aumento de 9,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. É o melhor resultado para o período em toda a série histórica da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), iniciada em 2012.
As captações de renda fixa somaram R$ 288,8 bilhões no semestre, dos quais R$ 169,8 bilhões vieram de debêntures. Apesar de liderarem as emissões, as debêntures registraram queda de 12,1% em relação ao primeiro semestre de 2025.
As debêntures incentivadas responderam por 38,3% do volume captado com esses títulos, participação praticamente estável ante os 38,6% registrados um ano antes e ainda em nível historicamente elevado. O setor de energia elétrica concentrou 52,9% das emissões incentivadas.
Entre os demais instrumentos de renda fixa, os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) captaram R$ 53,1 bilhões. As emissões de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) somaram R$ 20,3 bilhões, queda de 15,8%, enquanto as de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) alcançaram R$ 7,1 bilhões, retração de 50,4%. As notas comerciais também tiveram redução de 11,4% no valor captado.
Os títulos híbridos vieram na sequência, com recorde de R$ 47,8 bilhões. Desse total, R$ 39,5 bilhões foram captados por FIIs (fundos imobiliários), crescimento de 103,9%, e R$ 8,3 bilhões por Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais), avanço de 288,3%.
O aumento das emissões híbridas foi sustentado principalmente pelas pessoas físicas, cujo volume subscrito passou de R$ 9,7 bilhões para R$ 20,7 bilhões, e pelos fundos de investimento, que ampliaram sua participação de R$ 6 bilhões para R$ 18,9 bilhões. Com isso, os fundos responderam por 39,6% das ofertas, ante 28% no primeiro semestre de 2025.
A renda variável captou R$ 22,2 bilhões por meio de follow-ons (ofertas subsequentes de ações), além de registrar o primeiro IPO depois de um período de paralisação desse mercado. O volume levantado no semestre já supera em 62,5% todo o resultado de 2025.
Segundo Cesar Mindof, diretor da Anbima, a instabilidade externa e os prêmios associados às taxas de juros favoreceram uma composição mais diversificada das ofertas, com crescimento dos instrumentos híbridos e retomada da renda variável.
No mercado internacional, as captações totalizaram US$ 24,8 bilhões, melhor resultado para um primeiro semestre desde 2014. O governo brasileiro respondeu por US$ 14,6 bilhões, ou 58,9% do total, enquanto as empresas captaram US$ 7,7 bilhões e as instituições financeiras, US$ 2,5 bilhões.
Número de operações – O mercado de capitais registrou 1.513 operações no primeiro semestre, alta de 13% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento da quantidade de ofertas, superior ao avanço do volume financeiro, indica maior pulverização das emissões.
Os FIDCs lideraram em número de operações, com 559 ofertas. As debêntures somaram 278 operações, ante 268 no primeiro semestre do ano anterior, mesmo com a redução do volume captado.
As notas comerciais atingiram o recorde de 123 operações para um primeiro semestre, crescimento de 43% na comparação anual. Na renda variável, foram realizadas oito ofertas, o dobro das quatro registradas no mesmo período de 2025.
Para Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, os resultados mostram a capacidade das empresas de recorrer a diferentes instrumentos conforme as condições dos ambientes econômico doméstico e internacional.