
Os planos das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) encerraram 2025 com rentabilidade média consolidada de 13,33%, acima do benchmark de referência de 8,96%, correspondente a IPCA + 4,5% ao ano. O resultado reverte o desempenho mais fraco de 2024, quando o sistema havia registrado rentabilidade de 6,1%, abaixo da referência de 9,5%.
Os dados constam do Relatório 2025 da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), divulgado nesta terça-feira (15/7). Segundo o documento, o Regime de Previdência Complementar Fechada (RPCF) encerrou o ano com mais de 8,6 milhões de pessoas vinculadas, entre participantes, aposentados, pensionistas e dependentes.
Entre as modalidades de planos, os de Contribuição Definida (CD) tiveram o melhor desempenho em 2025, com rentabilidade de 14,29%, superando o benchmark em 5,3 pontos percentuais. Os planos de Contribuição Variável (CV) renderam 13,89%, com ganho de 4,9 pontos sobre a referência, enquanto os planos de Benefício Definido (BD) tiveram retorno de 12,75%, superando o benchmark em 3,7 pontos.
Apesar do bom desempenho no ano, a comparação de longo prazo mostra diferenças entre as modalidades de planos. Entre 2010 e 2025, os BDs acumularam rentabilidade de 406,2%, acima do benchmark de 396,2%. Já os CDs e CVs ficaram abaixo da referência acumulada no período, com retornos de 342,9% e 375,0%, respectivamente.
Concentração em renda fixa – O total de ativos do sistema chegou a R$ 1,408 trilhão em dezembro de 2025, crescimento nominal de R$ 104 bilhões em relação ao fim de 2024, ou alta de 7,97%. Os ativos de renda fixa dominavam as carteiras de investimentos.
Ao final do ano passado a renda fixa representava 85% dos ativos financeiros da EFPCs, com R$ 1,127 trilhão. A renda variável aparecia em seguida, com R$ 98,4 bilhões, ou 7,4% da carteira. Os demais recursos estavam distribuídos entre imobiliário, com R$ 38,8 bilhões e participação de 2,9%; operações com participantes, com R$ 27,8 bilhões e 2,1%; exterior, com R$ 21,0 bilhões e 1,6%; e estruturados, com R$ 13,0 bilhões e 1,0%.
Segundo a Previc, a alocação reflete um perfil conservador, voltado à preservação de capital e ao casamento de fluxos com os passivos atuariais, especialmente nos planos BD. O relatório aponta, porém, que a baixa exposição a ativos de maior risco e retorno potencial, como renda variável, exterior e estruturados, pode abrir espaço para diversificação gradual, à medida que planos CD e CV ganhem maior peso relativo no sistema.
Do déficit ao superávit – O relatório também mostra forte recuperação do resultado atuarial. O déficit líquido de R$ 8,9 bilhões registrado ao fim de 2024 foi revertido para um superávit líquido consolidado de R$ 17,69 bilhões em dezembro de 2025. Ao todo, 422 planos fecharam o ano com superávit acumulado de R$ 39,03 bilhões, enquanto 155 planos registraram déficit consolidado de R$ 21,33 bilhões.
A melhora foi sustentada principalmente pela recuperação dos ativos financeiros em 2025, em contraste com o desempenho negativo do ano anterior. Segundo a Previc, os índices de renda fixa referenciados ao IPCA, como o IMA-B e o IMA-B 5+, tiveram avanços relevantes, favorecidos pelo fechamento das taxas de juros reais de longo prazo.
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