
O CalPERS, fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia, passou a adotar a partir desta quarta-feira (1/7) o modelo de gestão conhecido como total portfolio approach (TPA), em substituição ao sistema tradicional de alocação estratégica de ativos. A mudança, aprovada em novembro de 2025, altera não apenas a forma como o fundo investe seus recursos, mas também sua governança, estrutura interna e critérios de remuneração.
Com US$ 625,7 bilhões (R$ 3,25 trilhões) em ativos, o CalPERS passa a administrar a carteira como um único portfólio integrado, deixando para trás o modelo baseado em metas rígidas por classe de ativos. No TPA, a análise deixa de partir de quanto deve ser alocado em ações, renda fixa, alternativos ou imóveis, e passa a considerar quais investimentos, independentemente da classe, contribuem mais para o desempenho e o risco do portfólio como um todo.
O novo modelo será guiado por um benchmark único, composto por 75% em ações e 25% em títulos de renda fixa, além de um limite de risco ativo de 400 pontos-base. A referência substitui os 11 benchmarks utilizados anteriormente, um para cada classe de ativos, modelo que dificultava a leitura consolidada do desempenho da carteira.
A mudança exigiu uma reorganização da governança da entidade. O CalPERS redesenhou linhas de responsabilidade, autoridade de decisão e integração entre equipes, buscando reduzir a lógica de compartimentos isolados por classe de ativos. “O TPA incentiva uma colaboração maior entre os times de investimento, aproveitando sua inteligência coletiva para avaliar cada decisão pelo potencial de beneficiar o portfólio como um todo”, afirmou a CEO do CalPERS, Marcie Frost, quando o processo foi iniciado.
Outra alteração relevante está na remuneração variável. O conselho do CalPERS aprovou novas métricas para executivos e profissionais de investimento, vinculando a remuneração variável ao resultado do fundo como um todo, e não mais ao desempenho isolado de classes de ativos. Além da equipe de investimentos e da alta direção, áreas como jurídica, financeira e operacional também passarão a incorporar métricas relacionadas aos resultados da carteira para calcular a sua própria remuneração variável.
Embora modelos de portfólio total já sejam usados por alguns fundos soberanos e investidores institucionais internacionais, a adoção pelo maior fundo de pensão público norte-americano cria um caso prático de grande escala para avaliar se a abordagem pode entregar mais flexibilidade, melhor governança e resultados superiores aos do modelo tradicional. A experiência do CalPERS será acompanhada de perto por outros fundos de patrocínio público dos Estados Unidos.