Edição 387

“Estamos há 19 anos como líderes em custódia e essa relação de longo prazo faz parte da nossa cultura”, diz Ricardo Barbieri, diretor do Bradesco Custódia
A expansão dos ativos no mercado doméstico, a sofisticação das carteiras institucionais e as novas exigências regulatórias vêm impondo um novo ciclo de investimentos em tecnologia, automação e atendimento especializado aos grandes prestadores de serviços fiduciários. Bradesco, Itaú e Banco do Brasil apontam crescimento de suas plataformas, maior demanda de investidores institucionais e necessidade de estruturas mais robustas para acompanhar a evolução do mercado.
No Bradesco, o avanço nos 12 meses até abril de 2026 foi puxado principalmente pelos negócios domésticos, com alta de 15,5% no volume total de ativos sob custódia e ganho de participação de mercado, de 20,61% para 20,70%. A casa também destaca a ampliação dos recursos de terceiros, o crescimento entre fundos de pensão, o avanço dos fundos estruturados e dos ETF e a preparação de uma nova frente voltada a ativos digitais.
No Itaú Unibanco, o crescimento ficou acima da média da indústria. O banco registrou expansão de 22% em ativos sob custódia no mercado doméstico, equivalente a R$ 433 bilhões adicionais, enquanto o mercado avançou aproximadamente 12% no período. A instituição associa esse desempenho à escala, à base diversificada de clientes e à capacidade de acompanhar a maior complexidade dos produtos.
Já no Banco do Brasil, a estratégia combina escala, capilaridade e modernização tecnológica. Com cerca de 18,4% de participação no mercado doméstico, aproximadamente R$ 2 trilhões em ativos sob custódia, 1.723 fundos de investimento e carteiras atendidos e 8,8 milhões de investidores mensais, a instituição vê espaço para ampliar sua atuação principalmente junto a EFPC e RPPS.
Tecnologia e ativos digitais – Impulsionada principalmente pela expansão do volume de ativos no mercado doméstico, a custódia do Bradesco registrou crescimento consistente nos 12 meses até abril de 2026. O volume total de ativos sob custódia teve aumento de 15,5% em um ano, com ganho de participação no mercado, que passou de 20,61% para 20,70% no período. “Além disso, o volume de recursos de terceiros teve uma expansão de 12,8% no período”, observa Ricardo Barbieri, diretor do Bradesco Custódia.
Segundo ele, a custódia cresceu bastante em 2025 mesmo com os mercados financeiros andando de lado. “Os negócios domésticos foram o grande destaque, mas registramos crescimento também na custódia para o mercado externo”, afirma.
Além dos processos robustos, dos investimentos em tecnologia e da elevada segurança operacional, Barbieri aponta como fator essencial do crescimento a estrutura de atendimento aos clientes e a visão de relacionamento de longo prazo mantida pelo banco. “Estamos há 19 anos como líderes em custódia e essa relação de longo prazo faz parte da nossa cultura. Hoje somos vistos como referência pelo mercado”, diz.
Entre o final de 2025 e o início de 2026, a decisão estratégica da casa foi reforçar as estruturas de pessoas, processos e tecnologia, dando maior robustez e autonomia a cada núcleo de atendimento, como fundos de pensão, assets, family offices, fundos estruturados e estruturas proprietárias.
O investimento em tecnologia é parte fundamental dessa estrutura, com uma esteira que já inclui inteligência artificial e engloba ferramentas para captura de dados de mercado, leitura de regulamentos e processamento de fundos de investimento. Há ainda um projeto em andamento para automatizar o enquadramento, com o objetivo de criar um novo benchmark de aderência às políticas de investimento.
No segmento de fundos de pensão, o banco ampliou sua base de clientes e ganhou participação de mercado. O volume chegou a R$ 470 bilhões em ativos custodiados, o que representa aproximadamente 62% de market share, ante 61% no ano anterior. O resultado é atribuído à confiança do segmento institucional na solidez operacional do banco e à capacidade de entregar soluções alinhadas às necessidades das entidades.
Entre as diversas categorias de fundos, os estruturados foram um dos destaques de crescimento no ano, liderados pelos FIDC, explica Fabiano Kosaka, head de administração fiduciária. Os FIDC atingiram R$ 44 bilhões este ano, com crescimento acima de 144%, fruto da chegada de novos clientes e da ampliação de negócios com a atual base. “São fundos que se beneficiam da grande diversidade de direitos creditórios disponíveis no mercado, assim como das operações com elevada segurança jurídica, transparência e arcabouço regulatório”, diz.
Ao todo, os estruturados – FIDC, FII e FIP – passaram de R$ 31 bilhões para R$ 54 bilhões sob custódia no banco em um ano. A expectativa, afirma Kosaka, é chegar ao final de 2026 com mais de R$ 100 bilhões sob custódia nesses fundos.
Os fundos de renda fixa foram o carro-chefe do ano em volume, superando R$ 100 bilhões, com crescimento de 17%, enquanto os fundos de previdência atingiram mais de R$ 50 bilhões, uma expansão superior a 14%. Mas foram os ETF os que mais cresceram, com R$ 12 bilhões sob custódia este ano, uma expansão superior a 380% no período.
Em conjunto com os FIDC, os ETF tiveram papel de destaque em termos de expansão ao longo de 2025, e a expectativa é de manutenção dessa trajetória de crescimento em 2026. A perspectiva é que o impulso venha cada vez mais da ampliação de estruturas com listagem no exterior via BDR e, principalmente, do aumento da demanda das EFPC, que passam a acessar de forma indireta a exposição a índices globais por meio desses instrumentos, em linha com os limites regulatórios.
A custódia espera ainda adicionar uma nova frente de crescimento, que “estará saindo do forno em breve e será voltada para a custódia de ativos digitais”, afirma Barbieri. O objetivo é explorar a robustez da estrutura operacional e tecnológica do banco para acelerar a adesão dos institucionais às operações com criptoativos. “Vamos passar a oferecer esse serviço porque não temos dúvida de que esse mercado crescerá bastante em breve”, diz.

“Nesse ambiente, a custódia passa a ter um papel ainda mais relevante como elemento de conexão dentro do ecossistema”, afirma Roberta Anchieta, diretora de Investment Services do Itaú Unibanco
Escala e regulação – “O segmento de custódia no Brasil é altamente regulado e intensivo em escala, o que favorece instituições com robustez e capacidade de execução. Nesse contexto, o Itaú Unibanco combina especialização, confiabilidade e proximidade, sustentado por controles rigorosos, equipe qualificada e investimentos significativos em tecnologia”, afirma Roberta Anchieta, diretora de Investment Services do banco.
A atuação da casa como parceira estratégica dos clientes no longo prazo, com oferta de soluções integradas e crescimento consistente, reforça sua posição e seu papel como referência para os investidores institucionais, avalia Anchieta. Ela lembra que o desempenho nos últimos 12 meses foi superior ao do mercado: a casa registrou expansão de 22% em ativos sob custódia no mercado doméstico, equivalente a um acréscimo de R$ 433 bilhões no volume total custodiado, enquanto a indústria cresceu aproximadamente 12% no período.
“O desempenho acima do mercado se reflete em um posicionamento robusto de market share em custódia doméstica. Apesar da estabilidade na dinâmica competitiva desse mercado, os resultados evidenciam a capacidade do banco de sustentar crescimento superior à média do setor, mesmo em um ambiente de alta concentração”, afirma.
Com mais de 40 anos de atuação em custódia de fundos, o banco mantém uma base de clientes diversificada, refletida na composição dos volumes custodiados, diz a diretora. “Dos R$ 2,4 trilhões sob custódia local, R$ 760 bilhões são da nossa atuação com terceiros, sendo 70% de administradores/gestores. Essa composição evidencia não apenas a escala dos volumes custodiados, mas também a diversificação da base de clientes e a capacidade do banco de atuar em diferentes cenários e níveis de complexidade”, afirma.
De acordo com dados da Abrapp, no segmento de fundos de pensão o Itaú presta serviços de custódia para aproximadamente 100 fundos de pensão, o que corresponde a cerca de 50% do universo total de fundações ativas no mercado. Essas EFPC, diz Anchieta, somam cerca de R$ 300 bilhões sob custódia do banco. Ela observa que, entre os fundos de pensão atendidos, aproximadamente metade também utiliza os serviços de administração fiduciária do banco, o que contribui para aprofundar o relacionamento e a integração das soluções oferecidas.
A atuação da casa no mercado está consolidada, sustentada por uma operação robusta, altos padrões de governança e forte aderência regulatória, avalia Anchieta. “A perspectiva é de manter a nossa visão de longo prazo e a evolução dos serviços com foco em excelência operacional, experiência do cliente, escalabilidade e transformação digital, acompanhando a crescente complexidade e sofisticação do mercado”.
Um dos pilares dessa evolução é o aprofundamento da proximidade com os clientes, buscando entender suas necessidades, especialmente em produtos mais sofisticados. “Nesse ambiente, a custódia passa a ter um papel ainda mais relevante como elemento de conexão dentro do ecossistema, combinando a capacidade de adaptação às novas tecnologias com as novas demandas do mercado para atender com excelência nossos clientes”, afirma.
Aposta em escala – Com aproximadamente 18,4% de participação no mercado doméstico de custódia de ativos, o Banco do Brasil tem trabalhado para ampliar sua posição entre os principais prestadores de serviços do País, afirma Bruno Alves do Nascimento, diretor de Operações da instituição. “São cerca de R$ 2 trilhões em ativos sob custódia, 1.723 fundos de investimento e carteiras atendidos e cerca de 8,8 milhões de investidores mensais, números que refletem uma combinação de escala, capilaridade e atendimento especializado”, diz.
A operação envolve guarda e registro escritural de títulos e valores mobiliários, controle e conciliação de posições em contas segregadas, além do tratamento de instruções de liquidação financeira e movimentação. “A operação tem uma escala relevante, com R$ 67 trilhões de giro mensal em liquidações e R$ 143 bilhões em ativos precificados diariamente, evidenciando a robustez operacional e a capacidade de processamento do banco”, diz.
A base de clientes inclui fundos de investimento, investidores institucionais, clientes private, empresas, fundações e gestores de recursos. No segmento de alta renda, a quantidade de clientes private detentores de conta de custódia de títulos públicos federais no Selic mais do que triplicou nos últimos 12 meses, resultado atribuído à atuação da rede de atendimento e à evolução dos produtos ofertados.
Entre os investidores institucionais, as entidades fechadas de previdência complementar e os regimes próprios de previdência social ocupam posição estratégica. As EFPC respondem por volumes da ordem de R$ 223 bilhões e os RPPS por cerca de R$ 52 bilhões. Nascimento observa que esses segmentos demandam governança, robustez operacional, aderência regulatória e qualidade da informação, o que exige estruturas preparadas para acompanhar a complexidade de suas carteiras.
No caso dos RPPS, o banco associa o potencial de expansão à presença em mais de cinco mil municípios, com alcance de 95% do território nacional. “Essa capilaridade é um ativo relevante para a estratégia de atendimento ao segmento, na medida em que amplia a proximidade com a gestão pública e reforça a percepção do banco como um parceiro na estruturação e evolução das carteiras dos regimes próprios”, diz.
A tecnologia é outro vetor de qualificação dos serviços fiduciários. Segundo Nascimento, a operação é sustentada por 126 sistemas e soluções, que suportam atividades de custódia, controladoria, contabilidade, liquidação, escrituração, consolidação de informações e atendimento regulatório. Esse ambiente dá suporte a uma operação de grande escala, incluindo a gestão de aproximadamente R$ 3,3 trilhões em ativos sob controladoria e a distribuição de R$ 18,5 bilhões em proventos no serviço de escrituração no último ano.
Os avanços recentes estão voltados à evolução da plataforma tecnológica, incluindo o portal de custódia, módulos especializados, atualização de soluções de controladoria e adequação de sistemas e layouts às demandas regulatórias e de mercado. Para 2026, a agenda está inserida em um programa de modernização dos serviços fiduciários, com foco em automação, integração de fluxos, ampliação da capacidade operacional, segurança e conformidade regulatória. “A diretriz é preparar a plataforma do banco para um novo ciclo de crescimento, com mais eficiência, escalabilidade e aderência às transformações do mercado”, afirma.
A adequação à Resolução CVM 175 também demandou avanços na documentação e nos modelos operacionais, além de maior integração entre áreas. Para Nascimento, a norma representou um marco relevante para a indústria de fundos de investimento e para os prestadores de serviços fiduciários. “Como resultado, a custódia passou a operar em um ambiente de maior clareza de responsabilidades, com reforço da segregação de funções, da rastreabilidade dos fluxos e da consistência operacional na execução das atividades”, aponta.
