
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (17/6) a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade pelos diretores do BC, confirmou a expectativa majoritária do mercado, que apostava na continuidade do ciclo de cortes em ritmo moderado, em meio a um cenário ainda marcado por incertezas externas, inflação acima da meta e expectativas desancoradas.
É a terceira queda consecutiva da taxa básica de 0,25 pp. A política de cortes moderados começou em março, com a Selic em 15%, patamar onde permaneceu por nove meses, desde junho de 2025. No comunicado desta quarta, o Copom informou que julgou apropriado dar sequência ao ciclo de “calibração” da política monetária, mas voltou a reforçar a necessidade de serenidade e cautela na condução dos juros. Segundo o BC, o ambiente externo permanece incerto diante da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e dos efeitos já materializados desses conflitos sobre as condições financeiras globais, os preços de ativos e as commodities.
No cenário doméstico, o comitê avaliou que os indicadores mostram aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, com setores mais cíclicos voltando a ter papel relevante, e mercado de trabalho ainda resiliente. Ao mesmo tempo, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes, afastando-se adicionalmente da meta e superando o limite superior na última leitura.
O Copom afirmou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual. Entre os riscos de alta, destacou a possibilidade de desancoragem das expectativas por período mais prolongado, maior resiliência da inflação de serviços, impactos inflacionários de políticas econômicas externa e interna e estímulos à demanda agregada, em especial ao consumo. Entre os riscos de baixa, citou uma desaceleração mais forte da atividade doméstica, uma perda de ritmo mais pronunciada da economia global e eventual queda nos preços das commodities.
O comitê também voltou a mencionar a política fiscal doméstica como fator relevante para a condução dos juros. Segundo o comunicado, o BC segue acompanhando como os desenvolvimentos fiscais impactam a política monetária e os ativos financeiros, em um ambiente de maior incerteza. Para o Copom, o cenário continua marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas e pressões no mercado de trabalho.
No comunicado, o Copom afirmou que o período prolongado de juros em patamar restritivo já produziu evidências de transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. Ainda assim, ressaltou que a magnitude total do ciclo de calibração será definida à luz de novas informações, com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta.