Inflação sobe no curto e médio prazo e pressiona Selic, diz Focus

Analistas do mercado financeiro voltaram a elevar as projeções para a inflação no curto e no médio prazo no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (15/6). Para 2026, a mediana do IPCA subiu de 5,11% para 5,30%, acumulando 14 semanas consecutivas de alta. Para 2027, a projeção avançou de 4,03% para 4,10%, na quarta alta seguida. E, para 2028, a estimativa passou de 3,65% para 3,68% (ver tabela abaixo). O movimento reforça a percepção de que a pressão inflacionária segue se intensificando não apenas no horizonte mais próximo, mas também nos anos seguintes.

A piora das expectativas de inflação teve reflexo direto também na trajetória esperada para os juros. A projeção para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,50% para 13,75%, enquanto a de 2027 avançou de 11,50% para 12,00%. Para 2028, a estimativa também foi revista para cima, de 10,00% para 10,25%. Assim, o Focus passou a embutir uma curva de juros ainda mais alta, em resposta ao avanço das projeções inflacionárias.

No caso de 2026, a nova alta do IPCA chama atenção pelo tamanho e pela persistência da sequência de revisões para cima. Em 2027, a continuidade do movimento por quatro semanas mostra que a piora deixou de estar restrita ao curto prazo. Já em 2028, embora a elevação tenha sido pequena, ela reforça a leitura de que a acomodação inflacionária continua sendo adiada.

Entre os demais indicadores, o PIB de 2026 subiu de 1,91% para 1,96%, enquanto o de 2027, 2028 e 2029 ficaram estáveis em 1,70% para o primeiro dos três anos e 2,00% para os dois últimos. No câmbio, as estimativas passaram a indicar alta no curto e no médio prazo: o dólar esperado para 2026 avançou de R$ 5,15 para R$ 5,20, o de 2027 subiu de R$ 5,20 para R$ 5,25, e o de 2029 passou de R$ 5,35 para R$ 5,40. Para 2028, a projeção ficou estável em R$ 5,30.

No horizonte mais longo, o quadro permaneceu mais comportado. O IPCA de 2029 seguiu em 3,50%, e a Selic para o mesmo ano foi mantida em 10,00%, sugerindo que, apesar da deterioração mais forte no curto e no médio prazo, o mercado ainda preserva alguma expectativa de estabilização adiante.