Spreads de debêntures se acomodam em maio, segundo a Anbima

Após algumas semanas de oscilação mais intensa, os spreads das debêntures negociadas no mercado secundário voltaram a se estabilizar em maio e, em alguns casos, já começaram a recuar, segundo dados da Anbima. O spread mede o prêmio de juros pago por esses papéis em relação aos títulos públicos de prazo e características equivalentes.

O spread médio do IDA, índice de debêntures da associação, chegou a 1,12% entre 27 e 29 de abril, maior patamar do ano, mas encerrou maio em 1%, nível equivalente ao observado no início de abril. O movimento, porém, não foi uniforme entre os diferentes tipos de papéis. Nas debêntures atreladas ao CDI, a alta foi mais curta e a acomodação mais rápida. Já nos títulos indexados ao IPCA, sobretudo os de infraestrutura, a abertura dos spreads foi mais intensa e a reversão ainda ocorre de forma mais lenta.

Segundo Leonardo Medina, gerente de Preços e Índices da Anbima, esse comportamento é esperado porque os papéis indexados ao IPCA têm prazo mais longo e, por isso, são mais sensíveis a mudanças nas condições de mercado e nas perspectivas econômicas.

A correção ocorre após um longo período de compressão das taxas, em especial nas debêntures incentivadas, impulsionado pela forte demanda gerada em 2025 pela discussão sobre a tributação desses papéis. A abertura dos spreads a partir de março refletiu o aumento da aversão ao risco, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã e a uma sequência de recuperações extrajudiciais de empresas locais. Ainda assim, na comparação com outros episódios de estresse no mercado de crédito, o movimento recente foi menos intenso.