O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta quarta-feira (27/5) em queda de 0,48%, aos 175.744,37 pontos, pressionado pela divulgação acima do esperado do IPCA-15 de maio e pela falta de avanços mais concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O movimento ocorreu em descompasso com as bolsas de Nova York, onde o Dow Jones subiu 0,39%, o S&P 500 avançou 0,02% e o Nasdaq ganhou 0,07%.
A prévia da inflação oficial mostrou desaceleração em maio, mas ainda acima das expectativas do mercado, levando a taxa acumulada em 12 meses a 4,6%, acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central. Ao mesmo tempo, o mercado acompanhou com cautela as sinalizações contraditórias sobre um possível acordo entre EUA e Irã. No pregão, o índice oscilou entre 177.640,02 pontos na máxima intradiária e 175.554,89 pontos na mínima, com volume financeiro de R$ 22,8 bilhões.
Entre as blue chips, a Petrobras pesou sobre o índice ao cair 1,62% nas ações ordinárias e 1,43% nas preferenciais, acompanhando o recuo do petróleo no mercado internacional. A Vale, por sua vez, subiu 0,46%. No setor bancário, o desempenho foi misto, com altas de 0,90% para Bradesco PN e de 0,65% para Itaú PN, enquanto o Banco do Brasil recuou 0,19%.
No mercado de câmbio, o dólar subiu 0,67% no dia, fechando a R$ 5,06, em meio à pressão sobre o real provocada pela queda do petróleo e pela redução do fluxo estrangeiro para ativos brasileiros. A perspectiva de normalização do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz derrubou as cotações da commodity, com o Brent para agosto fechando em queda de 4,57%, a US$ 92,25 por barril.
Além do cenário externo, operadores apontaram que a proximidade da corrida presidencial também aumentou a volatilidade cambial e reduziu parte da atratividade do carry trade. Ainda assim, a leitura mais alta do IPCA-15 reforçou a percepção de que o Banco Central seguirá cauteloso na condução da Selic.