Investidor aceita IA como apoio, mas quer humano no comando

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Pesquisa da Janus Henderson Investors, gestora global de recursos com atuação em diferentes mercados internacionais, mostra que a inteligência artificial já entrou no cotidiano de parte relevante dos investidores, mas ainda está longe de substituir a confiança depositada no aconselhamento humano. O levantamento, feito em 2026 com 1.000 investidores americanos afluentes e de alta renda, indica uma postura de “otimismo cauteloso”: a IA é vista como ferramenta útil para organizar informações, produzir conteúdo e apoiar análises, mas desperta resistência quando passa a influenciar recomendações de investimento ou comunicações pessoais.

O primeiro ponto da pesquisa é a baixa confiança dos investidores em recomendações financeiras geradas por IA. Embora 35% dos entrevistados digam usar ferramentas de IA com frequência ou continuamente, as barreiras ao uso em decisões de investimento continuam elevadas. As principais preocupações são o risco de recomendações enviesadas ou com conflito de interesse, citado por 75% dos entrevistados; segurança e privacidade dos dados, por 74%; preferência por métodos tradicionais, por 73%; e falta de confiança nas recomendações geradas por IA, por 72%.

A aceitação cresce quando a IA aparece como instrumento auxiliar do assessor financeiro. Segundo o levantamento, 87% dos investidores se sentiriam bem ou neutros se o assessor usasse IA para criar conteúdo educacional ou executar tarefas administrativas. O desconforto aumenta, porém, quando a tecnologia entra em áreas mais sensíveis: 40% ficariam incomodados se o assessor usasse IA para responder automaticamente a e-mails ou mensagens, e 33% reagiriam mal ao uso da ferramenta para recomendações de investimento.

A transparência aparece como condição central. Apenas 33% dos entrevistados afirmaram que seus assessores já discutiram como usam IA na prática profissional, enquanto 79% disseram que ficariam incomodados se descobrissem o uso da tecnologia sem divulgação prévia. Para a Janus Henderson, isso reforça a necessidade de manter “um humano no circuito”: a IA pode ajudar na análise, na síntese e na eficiência operacional, mas o cliente ainda espera que julgamento, responsabilidade e comunicação pessoal permaneçam com o profissional.

“Na Janus Henderson, vemos a inteligência artificial como um poderoso facilitador que deve ser abordado com uma perspectiva disciplinada e centrada no cliente. Estamos realizando investimentos significativos para acelerar nossa transformação em IA em todas as nossas equipes, a fim de aprimorar a forma como trabalhamos e atendemos aos clientes”, afirmou Ali Dibadj, CEO da Janus Henderson Investors.

IA como investimento – No campo dos investimentos em empresas ligadas à IA, a pesquisa mostra divisão quase perfeita. Questionados sobre a capacidade de companhias fortemente investidas em IA entregarem retornos superiores no longo prazo, 48% dos investidores se disseram muito ou moderadamente confiantes, enquanto 52% demonstraram pouca ou nenhuma confiança. A diferença geracional é importante: 76% dos millennials confiam no potencial de retorno dessas empresas, contra 55% da geração X e apenas 30% dos boomers.

O receio de bolha também é expressivo. A pesquisa aponta que 67% dos investidores estão preocupados com uma possível bolha de IA ou correção de mercado nos próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, 61% acreditam que a tecnologia terá impacto positivo, ainda que em diferentes intensidades, sobre os retornos de mercado nos próximos cinco anos. O resultado sugere que os investidores enxergam risco de excesso no curto prazo, mas continuam tratando a IA como uma força estrutural de longo prazo.

“O ceticismo em relação à IA é compreensível, mas os investidores correm o risco de não conseguir distinguir o ruído de valuation das mudanças estruturais de longo prazo”, afirma Denny Fish, gestor de portfólio da equipe global de Tecnologia e Inovação da Janus Henderson Investors. “Não haverá tema secular maior do que a IA em nossa geração. Mas os investidores precisam de paciência e disciplina, porque, embora a IA crie grandes vencedores ao longo do tempo, também expõe perdas significativas no caminho. Acreditamos que essa bifurcação criará oportunidades para gestores ativos.”

Outro dado relevante é a percepção equivocada sobre exposição ao tema. Quase metade dos entrevistados acredita não ter investimentos ligados à IA, algo que a Janus Henderson considera improvável, dado o peso da tecnologia em grandes empresas e índices de mercado. Para os assessores, a implicação é dupla: explicar melhor onde a exposição à IA já aparece nas carteiras e tratar o tema com seletividade, evitando abordagens genéricas baseadas apenas no entusiasmo com a tecnologia.