Copom deve cortar Selic em 0,25 pp, mirando inflação e petróleo

A Super Quarta deve concentrar as atenções do mercado na sinalização dos bancos centrais, mais do que nas decisões em si. No Brasil, a maior parte das projeções aponta para novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 14,50% ao ano, mas com comunicado mais cauteloso diante da pressão do petróleo, dos alimentos e da piora das expectativas de inflação. Nos Estados Unidos, a manutenção dos juros pelo Fed é vista como cenário majoritário, também em meio às pressões inflacionárias geradas pelo choque de energia.

Para Ricardo Tadeu Martins, economista-chefe da Planner Investimentos, o Copom deve reduzir a Selic de 14,75% para 14,50%, mantendo a estratégia de “calibração fina” do ciclo de cortes. A avaliação é que a inflação recente, pressionada por combustíveis e alimentos, tem origem predominantemente exógena, associada ao choque de commodities provocado pelo conflito no Oriente Médio, especialmente pelo petróleo e pelo risco envolvendo o Estreito de Ormuz. Segundo ele, a política monetária restritiva já mostra sinais de transmissão à atividade, com desaceleração gradual da economia e hiato do produto próximo de zero, o que justificaria a continuidade de cortes graduais, ainda que em ritmo cauteloso.

A Oby Capital também espera corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,50% ao ano, mas avalia que o comunicado do Banco Central deve vir mais cauteloso do que na reunião anterior, em razão da piora das condições e expectativas de inflação nos últimos 45 dias. Para a gestora, a continuidade do ciclo dependerá da evolução das tensões no Oriente Médio e do comportamento do petróleo. A casa trabalha hoje com a possibilidade de encerramento do ciclo em 13,50% ao ano, caso haja alguma normalização da commodity, mas vê espaço menor para cortes se os preços atuais forem mantidos. Nos Estados Unidos, a Oby espera manutenção dos juros pelo Fed, com o board ainda vigilante diante da ausência de alívio nos preços de energia.

Na avaliação de Paula Zogi, estrategista-chefe da Nomad, a Super Quarta deve trazer pouca novidade em termos de juros, mas muita atenção à sinalização sobre o ritmo futuro. Para o Copom, ela observa que as apostas seguem levemente inclinadas para um corte de 0,25 ponto percentual, embora a tese de manutenção tenha ganhado força com a guerra pressionando as expectativas de inflação. A sinalização para junho será acompanhada de perto, pois a expectativa de continuidade dos cortes é relevante para sustentar a confiança dos investidores e a perspectiva positiva para ativos de risco. Nos EUA, a probabilidade de manutenção é vista como elevada, acima de 90%, com Powell devendo adotar tom cauteloso em seu último comunicado à frente do Fed.

Para Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, o mercado entra na semana majoritariamente projetando corte de 0,25 ponto percentual pelo Copom, enquanto a possibilidade de redução de 0,50 ponto está praticamente descartada e a manutenção aparece como aposta minoritária. Ela avalia que o comunicado deve ter tom de alerta, com ênfase na pressão inflacionária provocada pelo petróleo, gás e fertilizantes, além dos efeitos de repasse sobre energia, transporte e alimentação. Segundo a economista, o movimento de 0,25 ponto é mais cauteloso do que estrutural, feito para evitar surpresa negativa ao mercado, mas com possibilidade de o BC deixar aberta a alternativa de manutenção caso o cenário global piore.