Ibovespa cai 0,78%, para 191 mil pontos, e dólar volta a R$ 5

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta quinta-feira (23/4) em queda de 0,78%, aos 191.378,43 pontos, no menor nível de fechamento desde 8/4, refletindo a maior aversão ao risco diante da escalada das tensões no Oriente Médio. O movimento veio em linha com as bolsas de Nova York, onde o Dow Jones caiu 0,36%, o S&P 500 recuou 0,41% e o Nasdaq perdeu 0,89%.

A piora do humor foi atribuída a declarações de autoridades em Israel que elevaram o risco de retomada do conflito, além das incertezas envolvendo Estados Unidos e Irã e os temores com o fornecimento global de petróleo, especialmente pelo Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% da commodity no mundo. Depois do recorde atingido em 14/4, o índice passou a mostrar perda de fôlego. Na semana, acumula baixa de 2,23%, embora ainda suba 2,09% em abril e 18,78% no ano.

Entre as blue chips, o setor financeiro puxou a queda, com recuos que foram de 0,83% em Santander Unit a 2,16% em Bradesco PN. A Vale, ação de maior peso no índice, caiu 1,43%. A exceção ficou com a Petrobras, beneficiada pela alta do petróleo, com avanço de 1,13% nas ordinárias e de 1,36% nas preferenciais, enquanto o Brent subiu 3,1%, a US$ 105,07, na quarta alta consecutiva.

Câmbio – No mercado de câmbio, o dólar subiu 0,60% no dia, voltando ao patamar de R$ 5, em movimento influenciado pela realização de lucros e pela recomposição de posições defensivas em meio ao aumento das incertezas geopolíticas. Com isso, a moeda americana passou a acumular alta de 0,41% na semana, embora ainda recue 3,38% em abril.

Além do noticiário externo, o câmbio também refletiu a saída líquida de US$ 3,988 bilhões no fluxo financeiro em abril até 17/4, segundo o Banco Central. Considerando a entrada de US$ 788 milhões pelo comércio exterior, o saldo total ficou negativo em US$ 3,2 bilhões. Pela manhã, o real ainda chegou a se destacar entre emergentes, apoiado por rumores de ingresso de recursos externos e pelo efeito positivo do petróleo elevado sobre os termos de troca do Brasil, mas perdeu força ao longo do dia com a piora do ambiente internacional.