
Os analistas do mercado financeiro voltaram a elevar as projeções para a inflação no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (20/4), reforçando a continuidade da piora das expectativas para os próximos anos. A mediana para o IPCA de 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, após já ter batido em 4,17% há quatro semanas, enquanto a projeção para 2027 avançou de 3,91% para 3,99%. O movimento indica a persistência da pressão inflacionária no horizonte relevante da política monetária (ver quadro abaixo).
A alta da inflação projetada veio acompanhada por nova revisão para cima da Selic. A estimativa para a taxa básica no fim de 2026 passou de 12,50% para 13,00%, enquanto a de 2027 avançou de 10,50% para 11,00%. Para 2028, a projeção foi mantida em 10,00%, e para 2029 houve leve alta, de 9,75% para 9,88%. A leitura do mercado é de que o ambiente inflacionário mais pressionado exige juros elevados por mais tempo.
Nos horizontes mais longos, porém, as expectativas de inflação seguiram ancoradas. O IPCA de 2028 permaneceu em 3,60%, enquanto o de 2029 ficou estável em 3,50%. Isso sugere que, apesar da deterioração nas projeções de curto e médio prazo, o mercado ainda não vê descontrole mais à frente.
Em direção oposta, o câmbio seguiu em trajetória de queda. A projeção para o dólar no fim de 2026 recuou de R$ 5,37 para R$ 5,30, enquanto a de 2027 caiu de R$ 5,40 para R$ 5,35. Para 2028, a mediana baixou para R$ 5,40, e para 2029, para R$ 5,45, mantendo o viés de apreciação do real nas estimativas.
As previsões para a atividade econômica tiveram pouca mudança. A mediana para o PIB de 2026 passou de 1,85% para 1,86%, ao passo que a de 2027 foi mantida em 1,80%. Para 2028 e 2029, as estimativas continuaram em 2,00%.
Divulgado semanalmente pelo Banco Central, o Boletim Focus reúne as medianas das projeções de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores da economia, como inflação, juros, câmbio e crescimento, abrangendo o ano corrente e os anos seguintes.
