
Gonzalo Binello, head da Schroders para a América Latina
A gestora britânica Schroders, cuja compra pela norte-americana Nuveen foi anunciada em fevereiro último, pretende manter os acordos de distribuição dos fundos globais com a brasileira Gama Investimentos, firmados em meados do ano passado. Naquela ocasião, a Schroders anunciou o fechamento de sua operação no Brasil e informou que passaria a ser representada pela Gama na distribuição de produtos globais, enquanto seus fundos locais seriam assumidos pela Riza.
Segundo o head da Schroders para a América Latina, Gonzalo Binello, a parceria com a Gama segue “totalmente de acordo com o que foi assinado”, mesmo com a gestora britânica passando ao controle da Nuveen. Ele ressaltou, porém, não poder dar detalhes da operação por restrições impostas pela legislação britânica, já que a venda para a gestora norte-americana ainda está em análise.
Em entrevista à Investidor Institucional, Binello destacou a importância estratégica do Brasil para a Schroders. Segundo ele, a operação de distribuição dos produtos da casa no país cresceu de US$ 600 milhões, há sete anos, para mais de US$ 2,5 bilhões no ano passado, o equivalente a cerca de 10% dos ativos da Schroders na América Latina. Embora o peso do Brasil ainda seja pequeno no contexto global da gestora, o executivo afirmou que o mercado brasileiro tem elevado potencial de longo prazo, em razão da expansão da base de investidores, do avanço das plataformas digitais e da maior integração entre alocação doméstica e internacional. Na avaliação dele, trata-se de um mercado “onde queremos estar”.
Binello também procurou reforçar que o novo modelo adotado no país, baseado em distribuição e não mais em operação local própria, não representa uma exceção dentro da estratégia global da Schroders. Segundo o executivo, a gestora atua em outros mercados por meio de distribuidores terceirizados e vê valor em contar com um parceiro local capaz de estruturar e distribuir veículos adequados a uma praça sofisticada como a brasileira.
Ele observou que a crescente complexidade dos canais e formatos de investimento — como ETFs, feeder funds, mandatos e distribuição digital — exige especialização local proporcionada pela Gama, enquanto a Schroders concentra seus recursos na geração de alfa e na gestão dos investimentos.
Nova etapa — Do lado da Gama, o CEO Bernardo Queima afirmou que a transição para assumir a distribuição dos fundos globais da Schroders foi concluída e que a parceria entrou em uma nova etapa, com integração operacional, comercial e de conteúdo já em funcionamento. Segundo ele, através da Gama a Schroders vem participando de vários processos de licitação para mandatos de investment solutions voltados a investimentos no exterior.
De acordo com Queima, uma dessas licitações, promovida por um importante fundo de pensão cujo nome ele não quis revelar, já teria sido vencida pela Schroders. Segundo fontes do mercado, o mandato poderia ser o da Fundação Copel. Mas o diretor da entidade, José Carlos Lakoski, afirmou que o processo na entidade ainda não está concluído e “ainda tem que transitar pelo comitê de investimentos e pelo conselho deliberativo”. Segundo Lakoski, o mandato é de R$ 220 milhões e se destina aos planos de Contribuição Definida (CD).
Queima afirma que a nova estrutura de representação da Schroders ampliou a presença comercial da gestora no mercado institucional local. Segundo ele, a Gama passou a levar “mais oportunidades e mais negócios” aos investidores institucionais do que a gestora conseguia com a operação anterior. Para o executivo, a Schroders não saiu do mercado brasileiro, apenas mudou sua forma de atuação, e segue ativa na disputa por novos mandatos institucionais.