Prevcom-BrC inicia ciclo de expansão

Edição 385

“2025 foi um ano de mudança de patamar na nossa entidade”, explica Murilo Luciano Souza Barbosa, da Prevcom-BrC

A Prevcom-BrC, fundo de pensão dos funcionários públicos de Goiás, está negociando a entrada de novas patrocinadoras, entre elas o banco de fomento estadual (Goiás Fomento) e empresas estatais das áreas ambiental e de medicamentos, além de previdência complementar de entes federativos municipais. Para isso, depende da aprovação de mudanças em seu regulamento, que já foram encaminhados à Previc e estão sendo analisadas pela autarquia.
A decisão de expandir marca uma quinada de 180 graus na sua trajetória, que nos últimos anos atravessou dificuldades que colocaram em risco sua própria continuidade. Em 2020, o governo de Goiás chegou a propor a extinção da fundação e sua substituição por um modelo terceirizado, diante da inviabilidade econômica da entidade à época – com apenas 170 participantes e uma arrecadação muito inferior às despesas.
Em 2022 a gestão do plano chegou a ser licitada e a Fundação Eletros foi escolhida para assumir a administração da Prevcom-BrC, o que só não aconteceu devido às disputas judiciais com outras entidades que perderam a licitação. Mas ao longo desse período de brigas judiciais, o principal motivo que justificava a gestão externa – o déficit do Plano de Gestão Administrativa (PGA) – começou a desaparecer. “O ano de 2025 foi um ano de mudança de patamar na nossa entidade”, explica Murilo Luciano Souza Barbosa, presidente da Prevcom-BrC.
Segundo ele, em 2025 houve um aumento expressivo na base de participantes, que saltou para 4.145 ao fim de 2025, praticamente o dobro do registrado um ano antes, impulsionado por três fatores principais: novas contratações no Estado, migração de servidores públicos para o regime complementar e aumento do salário médio. “Só a migração de servidores para o nosso fundo de pensão elevou a arrecadação em mais de 50%”, destaca Barbosa. “Além disso, a contribuição média também praticamente dobrou, passando de cerca de R$ 300 por servidor para quase R$ 580, por conta dos salários mais elevados dos servidores que migraram”.
Com isso, as receitas próprias do Plano de Gestão Administrativo (PGA) superaram as despesas totais. O ponto de equilíbrio foi validado por atuário externo e reconhecido pelo patrocinador – o governo estadual – como suficiente para afastar a necessidade de terceirização. Com isso, as receitas do PGA passaram a superar as despesas em quase 40%, fechando 2025 com um patrimônio acumulado de R$ 7 milhões e superávit de aproximadamente R$ 2,3 milhões. “Isso já permitiu a primeira redução nas taxas administrativas cobradas dos participantes”, afirma o Barbosa.

Resultados – No plano previdenciário, estruturado como contribuição definida (CD), o crescimento também foi acelerado. O patrimônio mais que dobrou em 2025, saindo de cerca de R$ 50 milhões para R$ 107 milhões. A expectativa da fundação é encerrar 2026 próxima de R$ 200 milhões, sustentada por uma arrecadação mensal na faixa de R$ 4,5 milhões.
A rentabilidade da entidade no ano passado foi de 12,7%, muito acima da sua meta atuarial de 7,26% (IPCA + 3%). Para este ano a entidade já elevou a meta para IPCA + 4,5%. “Elevamos a meta em linha com o padrão observado em outras entidades do sistema”, afirma o presidente da Prevcom-BrC.
A estratégia de investimentos da entidade é conservadora, ancorada no elevado patamar dos juros reais no país. Atualmente, cerca de 95% dos recursos estão alocados em títulos públicos indexados à inflação, 2% em letras financeiras de bancos e 3% em crédito corporativo. “Enquanto o juro real estiver nesse nível, não faz sentido correr mais risco”, afirma Barbosa.
Ainda assim, a entidade já se prepara para uma transição gradual, para quando as taxas de juros começarem a cair. A entidade está contratando uma consultoria de investimentos para apoiar a diversificação da sua carteira, com potencial avanço para multimercados, renda variável e ativos imobiliários, especialmente em um cenário de queda das taxas reais. “A consultoria vai nos ajudar a olhar outros ativos com mais atenção”, diz.

Expansão – É nesse novo contexto que a Prevcom-BrC passa a mirar sua expansão junto à empresas públicas do estado e entes federativos municipais. Segundo Barbosa, o estado possui 170 regimes próprios de previdência social (RPPS), dos quais apenas 11 mantém regimes de previdência complementar ativos. “É um grande mercado a ser explorado pela Prevcom BrC”, diz.
A estratégia inclui a busca de RPPS de grandes cidades, capazes de trazer escala ao plano, e de municípios menores, em abordagem que combina viabilidade econômica e papel institucional. Paralelamente, a fundação pretende intensificar ações de educação previdenciária para atrair servidores estaduais que ainda não aderiram ao regime complementar. “Existe um público grande de servidores ainda sem plano patrocinado”, afirma.