Exclusivos ganham tração

Edição 385

“Os fundos de pensão e os demais institucionais representaram a nossa maior captação no trimestre, com 30% do total. A maior parte desse volume foi destinada aos fundos exclusivos”, diz Leandro Bousquet, CEO da XP Asset

Nos investidores institucionais, os fundos exclusivos deixaram há muito de ser um produto acessório. Hoje concentram volumes relevantes, absorvem boa parte da captação e se afirmam como o principal veículo de implementação de estratégias mais calibradas, tanto na defesa local quanto na diversificação internacional. Em um ambiente ainda marcado pelos ruídos da guerra no Oriente Médio e pelo choque do petróleo, é justamente nesses mandatos que as gestoras vêm concentrando o grosso da construção das carteiras de fundações, RPPS e seguradoras.
O avanço não se dá de forma homogênea, mas aponta na mesma direção. Na XP Asset, os exclusivos já respondem pela maior parte dos volumes sob gestão no segmento institucional e capturaram a maior fatia do fluxo vindo de fundos de pensão e demais investidores desse grupo no primeiro trimestre. Na Franklin Templeton, eles crescem sobretudo entre os fundos de pensão, especialmente nos mandatos locais voltados ao exterior, enquanto os veículos abertos e mais padronizados seguem como principal porta de entrada para RPPS e varejo.
Para Leandro Bousquet, CEO da XP Asset, os fundos exclusivos estão no centro da estratégia institucional da casa e já respondem pela maior parte dos volumes sob gestão entre fundações, RPPS e seguradoras. É por meio deles que a asset vem implementando carteiras mais defensivas e calibradas, com menor exposição a renda variável e multimercados, além de maior cuidado na seleção de gestores. No primeiro trimestre, esse protagonismo também apareceu na captação: os investidores institucionais responderam por 30% do total captado pela casa, e a maior parte desse volume foi destinada justamente aos mandatos exclusivos.
Já Marc Forster, head da operação da Franklin Templeton no Brasil, afirma que os mandatos exclusivos vêm ganhando espaço sobretudo entre os fundos de pensão, principalmente como veículo de acesso ao exterior. A gestora soma R$ 1,5 bilhão nesses mandatos para esse público, tem dois novos contratos em fase de on-boarding e outros em andamento, em estratégias que combinam renda fixa, renda variável e posições com ou sem hedge. Na leitura de Forster, é justamente a possibilidade de customização que explica o avanço dos exclusivos, enquanto os fundos abertos e mais padronizados seguem predominando entre RPPS e varejo.

Carteiras calibradas – Na XP, o avanço dos fundos exclusivos aparece antes de tudo no peso que esses mandatos já assumiram dentro do negócio institucional. Considerando os volumes sob gestão, eles representam a maior parte entre fundações, RPPS e seguradoras, ao lado das carteiras administradas. Não se trata, portanto, de uma solução complementar em meio aos veículos mais padronizados, mas do núcleo da relação da casa com esse público. É justamente nesses mandatos que a asset vem concentrando a construção de carteiras mais calibradas, capazes de combinar proteção em um ambiente mais volátil com espaço para diversificação seletiva.
Esse crescimento também se explica pela forma como a XP tem usado os exclusivos para diferenciar sua alocação. Segundo Leandro Bousquet, CEO da XP Asset, as estratégias para institucionais já vinham sendo desenhadas com um grau de conservadorismo superior ao do mercado, seja por meio de FoFs, ativos diretos, ETFs ou fundos indexados. Isso significou menor exposição a renda variável e multimercados justamente em um período em que essas classes sofreram mais, o que ajudou a melhorar a performance relativa das carteiras. Como resume o executivo, a casa estava menos exposta aos multimercados que registraram os maiores drawdowns em março, e o objetivo segue sendo evitar perdas muito bruscas, com ênfase na seleção dos gestores.
Os exclusivos também funcionam, na XP, como principal plataforma de sofisticação da diversificação institucional. A asset vem reforçando a grade de fundos offshore, ampliando o time dedicado ao exterior e preparando, para o médio prazo, a oferta de alternativos internacionais. Embora, entre os institucionais, essa alocação ainda seja marginal e feita por feeders locais que acessam renda fixa, renda variável ou hedge funds, a direção estratégica já está definida: crescer com soluções sob medida, ajustadas ao perfil e ao apetite de risco de cada investidor.
O protagonismo dos exclusivos aparece, por fim, na própria captação. No primeiro trimestre de 2026, os institucionais responderam pela maior parcela do fluxo da casa, com destaque para ETFs e fundos indexados destinados a seguradoras e fundos de pensão. Desse total, 30% da captação vieram de fundos de pensão e demais investidores institucionais, e a maior parte desse volume foi direcionada justamente aos fundos exclusivos. O dado reforça que, no segmento institucional, o crescimento da XP passa menos pelos mandatos condominiais e mais por estruturas dedicadas, capazes de entregar ao mesmo tempo defesa, personalização e diversificação.

Exterior – Na Franklin Templeton, o avanço dos exclusivos aparece com mais nitidez entre os fundos de pensão. A gestora soma R$ 1,5 bilhão em mandatos exclusivos para esse público, tem dois novos mandatos em fase de on-boarding e outros em andamento, em estratégias que combinam renda fixa, renda variável e posições com ou sem hedge. É nesse espaço que o exterior vem ganhando tração. Forster diz que essa já foi uma briga antiga da indústria, mas que hoje o conceito de diversificar fora do país está cristalizado nesse segmento de público. O crescimento, portanto, não vem apenas de uma tese macro, mas da consolidação de um formato de mandato capaz de entregar alocação mais ajustada às necessidades de cada entidade.
Ao mesmo tempo, a Franklin deixa claro onde os exclusivos crescem e onde os condominiais continuam predominando. Entre os fundos de pensão, os exclusivos são o principal instrumento de acesso ao exterior. Já entre os RPPS, a entrada ocorre principalmente por fundos abertos organizados em building blocks, com três possibilidades de alocação internacional: renda fixa, renda variável ou alternativos. Nesse desenho, a Franklin Templeton Investment Solutions faz a gestão, mas com forte arquitetura aberta: 70% do acesso é voltado para fundos que não são da própria casa, percentual que também se repete nos exclusivos usados pelos fundos de pensão. A distinção ajuda a entender o reposicionamento dos mandatos: nos investidores mais sofisticados e com maior necessidade de personalização, os exclusivos ganham terreno; nos segmentos que demandam estruturas mais padronizadas, os fundos abertos e as contas globais seguem relevantes. No mercado doméstico, a gestora mantém a visão de que a Selic deve cair, embora menos do que se projetava antes da guerra, e por isso vem se posicionando em papéis de 2029, longos o suficiente para depender menos do ritmo exato do corte de juros.

Por Fundos Exclusivos (arquivo em pdf)