Califórnia quer destinar taxa de patrocínio a fundo de boxeadores

Projeto de lei apresentado esta semana pelo deputado estadual norte-americano Matt Haney, democrata de São Francisco, prevê que empresas patrocinadoras de lutas de boxe no estado da Califórnia paguem uma taxa para incluir suas marcas nos uniformes dos árbitros e nas vestimentas oficiais dos competidores. De acordo com a proposta, três quartos do valor arrecadado seriam destinados à criação de uma fonte estável de recursos para o fundo de pensão dos boxeadores profissionais da Califórnia, enquanto o quarto restante seria direcionado ao treinamento de árbitros e à Comissão Atlética Estadual.
O fundo de pensão dos boxeadores da Califórnia foi criado em 1982 e, segundo a Comissão Atlética do Estado, é o único fundo de pensão estadual no mundo voltado a profissionais de esportes de combate, incluindo boxeadores e lutadores de MMA. Atualmente, seu financiamento depende principalmente das taxas cobradas nos eventos estaduais.
“Os lutadores devem receber parte do valor que criam. Cada ingresso vendido, cada patrocínio, cada transmissão existe porque eles arriscam tudo ao entrar no ringue. Quando saem do ringue pela última vez, merecem a segurança de saber que seu sacrifício será recompensado com apoio a longo prazo”, afirma Haney.
Segundo comunicado do gabinete do deputado, a nova fonte de receitas também subsidiaria uma reserva destinada a conceder pagamentos únicos a lutadores que se aposentaram antes da formalização dos critérios de elegibilidade para o fundo de pensão. Atualmente, os lutadores são elegíveis a partir de 50 anos de idade desde que tenham lutado pelo menos 75 assaltos profissionais na Califórnia.
“Os lutadores arriscam tudo cada vez que entram em uma luta”, diz a ex-lutadora norte-americana de artes marciais mistas e judô, Ronda Rousey, que se notabilizou em campanhas passadas para incluir os lutadores de MMA no fundo de pensão, o que ocorreu em 2023. “Este esporte lucrou bilhões com atletas dispostos a sacrificar tudo por ele, então parte desse dinheiro deveria voltar para os lutadores que dedicaram seus corpos e suas carreiras para construí-lo”, afirma.
Estudo sobre a saúde cerebral de lutadores profissionais, publicado em 2014 no periódico científico British Journal of Sports Medicine, concluiu que os esportes de combate podem levar à perda de volume cerebral e à lentidão cognitiva.
Segundo o gabinete do deputado Haney, o projeto de lei será analisado por duas comissões nas próximas semanas.