Ciabrasf passa a se chamar B100 S.A. e ganha novo código na B3

Carlos Arnaldo Borges de Souza, CEO da Planner

O Conselho Deliberativo da B100, holding do grupo Planner, aprovou nesta terça-feira (31/3) a mudança de nome da Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), empresa de administração fiduciária adquirida da Reag em novembro do ano passado, para B100 S.A. Como a companhia é listada em bolsa, o ticker ADMF3 será substituído pelo código B100 ON3.
“É o primeiro código da bolsa com três numerais”, afirma o CEO do grupo Planner, Carlos Arnaldo Borges de Souza. “Não há nenhum com três, os demais têm, no máximo, dois numerais.”
A aquisição da Ciabrasf  pela B100 ocorreu após a Operação Carbono Oculto, realizada pela Polícia Federal contra a Reag e outras instituições financeiras no final de agosto do ano passado. A Reag, que detinha 97% da empresa, concordou em desmembrar a transação em duas partes para viabilizar a venda à Planner.
A primeira parte contemplava apenas a estrutura da companhia aberta, sem ativos e passivos, pela qual a B100 pagou o valor simbólico de R$ 1 mil. O objetivo de comprar essa estrutura, uma “casca” nas palavras de Souza, era utilizá-la para listar na B3 sua própria operação de administração fiduciária, então com cerca de 150 fundos.
A segunda parte da transação envolvia os cerca de 700 fundos que a Ciabrasf abrigava, mas nem todos seriam absorvidos pela B100. Pelo acordo, os veículos passariam por análise de compliance da Planner e apenas os aprovados seriam internalizados. Por eles, a B100 se comprometia a pagar um earn-out equivalente a 15% da receita líquida gerada ao longo dos próximos dez anos.

Segundo Souza, dos 700 fundos que estavam na Ciabrasf apenas cerca de 200 foram absorvidos pela nova B100 S.A., que somados aos demais fundos da Planner totalizam aproximadamente 450 atualmente. “Queremos bater em 500 fundos nos próximos meses”, diz Souza.

Ele explica que nos últimos meses muitos fundos da base antiga da Ciabrasf foram liquidados ou transferidos, e os que permaneceram com o liquidante da Reag foram justamente os mais problemáticos, com bloqueios decorrentes da Operação Carbono Oculto, da Operação Compliance Zero ou com outras irregularidades. “Nos comprometemos a ajudar o liquidante a buscar uma solução para esses fundos, embora seja algo muito difícil”, afirma. “São uns 150 fundos quase que intransferíveis, porque estão com bloqueios e então não têm liquidez, se não têm liquidez então não pagam nada, não pagam CVM, não pagam Anbima, não pagam Cetip, não pagam Bolsa”, explica Souza.