Ibovespa sobe mais de 3% com conversas entre EUA e Irã; dólar cai

O Ibovespa, principal índice da B3, disparou nesta segunda-feira (23/3) e fechou em alta de 3,24%, aos 181.931,93 pontos, refletindo a queda de quase 10% nos preços do petróleo e o alívio na percepção de risco geopolítico no Oriente Médio.
O movimento ocorreu em linha com as bolsas internacionais, após sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível trégua no conflito com o Irã. Em Nova York, o Dow Jones avançou 1,38%, o S&P 500 subiu 1,15% e o Nasdaq ganhou 1,38%, acompanhando a melhora do apetite por risco global.
Apesar da reação positiva, o cenário segue indefinido. Autoridades iranianas negaram negociações, enquanto surgiram relatos sobre possível envio de tropas americanas à região e restrições operacionais em aeroportos de Israel. Analistas destacam que a continuidade do movimento positivo das bolsas dependerá da evolução do conflito e da confirmação de um eventual cessar-fogo.
Mas, mesmo com a forte alta, o Ibovespa ainda acumula queda de 3,63% no mês. Em 2026, o índice avança 12,91%.
Entre as blue chips, as ações da Petrobras tiveram reação mais moderada, acompanhando a queda do petróleo, mas ainda fecharam em leve alta de 0,68% (ON) e 0,79% (PN). A Vale, de maior peso no índice, subiu 2,57%. No setor bancário, os ganhos foram mais expressivos, com destaque para Bradesco (ON +3,98%) e BTG Pactual (Unit +4,72%).
Câmbio – No mercado de câmbio, o dólar caiu 1,29%, cotado a R$ 5,24, em um ambiente de menor aversão ao risco global após os sinais de possível redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. O movimento também foi favorecido pela queda expressiva do petróleo, que recuou cerca de 10%, com o Brent voltando a ser negociado abaixo de US$ 100.
As declarações de Trump, indicando conversas “produtivas” com o Irã e o adiamento de eventuais ataques a instalações energéticas, sustentaram o recuo da moeda americana. Ainda assim, o desencontro de informações — com negativas por parte de autoridades iranianas — limitou um movimento mais intenso de valorização das moedas emergentes.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuou cerca de 0,50%, voltando a operar abaixo dos 100 pontos no fechamento do mercado brasileiro.
Apesar do alívio externo, o mercado segue atento a riscos domésticos, como a possibilidade de paralisação de caminhoneiros, o que poderia pressionar os preços dos combustíveis e gerar impactos fiscais.