
O sinal de alerta soou no maior fundo de pensão público da Tailândia, o Social Security Fund (SSF), que administra cerca de US$ 88 bilhões em ativos. Pela primeira vez em dois anos, em meio às recentes ondas de volatilidade dos mercados, o fundo rompeu seu limite interno de risco, expondo fragilidades estruturais marcadas por elevada concentração em ativos do mercado doméstico e baixa diversificação.
De acordo com reportagem da Reuters, o fundo — administrado pelo Social Security Office e responsável pelo pagamento de benefícios a cerca de 25 milhões de trabalhadores — ultrapassou seu limite de “value-at-risk” (VaR), indicador que mede a perda máxima tolerável em condições adversas. A quebra do parâmetro ocorreu em 9 de março, após forte queda do mercado acionário local, em um movimento associado à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Embora as ações representem apenas cerca de 7% da carteira, a combinação com um portfólio conservador — que aloca aproximadamente 69% dos recursos em ativos domésticos de baixo risco, como títulos públicos e instrumentos de renda fixa — aumenta a vulnerabilidade a choques específicos da economia tailandesa.
O episódio intensificou a pressão por reformas na estratégia de investimentos. Integrantes do conselho do fundo defendem uma reestruturação que inclua maior diversificação global e aumento gradual da exposição a ativos de maior risco, como private equity e hedge funds. A meta é migrar para uma carteira mais equilibrada até 2027, reduzindo a dependência de ativos domésticos e elevando o potencial de retorno no longo prazo.
O caso tailandês reforça uma discussão global cada vez mais presente entre investidores institucionais: a necessidade de equilibrar prudência, diversificação e governança para mitigar riscos em um ambiente de maior volatilidade e incerteza.