Percepção de risco externo cai e Ibovespa sobe 0,30%

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta terça-feira (17/3) em alta de 0,30%, aos 180.409,73 pontos, refletindo a redução da percepção de risco no cenário externo e a expectativa em torno das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, previstas para a chamada “superquarta”. O movimento esteve em linha com as bolsas internacionais, que também registraram ganhos moderados diante de sinais de possível acomodação das tensões no Oriente Médio.

Foi o segundo pregão consecutivo de recuperação, levando o índice de volta ao patamar dos 180 mil pontos, após as perdas recentes. O avanço foi sustentado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a ofensiva contra o Irã pode durar apenas algumas semanas, além da continuidade do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz. No campo monetário, o mercado consolidou a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 14,75% ao ano, enquanto nos EUA a aposta majoritária é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve.

Ainda assim, o Ibovespa acumula queda de 4,44% em março, mas sobe 11,97% no ano.

Entre as principais blue chips, as ações da Petrobras avançaram 1,22% (ON) e 1,76% (PN), acompanhando a alta do petróleo, com o Brent sendo negociado acima de US$ 100. A Vale ficou próxima da estabilidade, com leve alta de 0,15%. Já no setor bancário, o desempenho foi negativo: o Itaú Unibanco (PN) recuou 0,67%, e o Santander (Unit) caiu 1,18%, refletindo ajustes de posição antes das decisões de política monetária.

Câmbio – No mercado de câmbio, o dólar caiu 0,57%, fechando a R$ 5,20, em um movimento associado à melhora do apetite global por risco e à entrada de recursos estrangeiros no mercado brasileiro. A perspectiva de manutenção dos juros nos Estados Unidos e de corte da Selic no Brasil também ajudou a sustentar o diferencial de juros ainda elevado, favorecendo o real.

O movimento foi reforçado pela redução das posições defensivas no mercado, diante da percepção de que o conflito no Oriente Médio pode não se intensificar no curto prazo — contexto já refletido no desempenho das bolsas. No exterior, o índice DXY recuava cerca de 0,10%, para próximo de 99,6 pontos, enquanto o real se destacou entre as moedas emergentes com melhor desempenho no dia.

Nos dois últimos pregões, o dólar acumula queda de 2,19%, embora ainda registre alta de 1,29% em março.