Focus projeta alta relevante da inflação e juros ao final do ano

As projeções do mercado para inflação e juros voltaram a subir no horizonte de 2026 no boletim Focus divulgado nesta semana pelo Banco Central, indicando deterioração relevante nas expectativas de curto prazo. O IPCA esperado para 2026 passou de 3,91% para 4,10%, um salto de 0,19 pontos percentuais, enquanto a taxa Selic projetada para o fim do mesmo ano subiu de 12,13% para 12,25% (ver quadro abaixo).

O relatório reúne semanalmente estimativas de mais de cem instituições financeiras sobre nível de inflação, atividade, câmbio e juros, comparando sempre a média da semana com a média da semana anterior.

A alta da inflação esperada para 2026 representa uma mudança importante em relação ao quadro anterior, quando as projeções vinham relativamente estáveis próximas de 3,9%. Com o novo patamar de 4,10%, a estimativa se afasta mais do centro da meta de inflação, fixado em 3% pelo Conselho Monetário Nacional, ainda que permaneça dentro da banda de tolerância de 1,5 ponto percentual.

A revisão nas expectativas inflacionárias veio acompanhada de ajuste nos juros básicos projetados para o mesmo horizonte. A taxa Selic esperada para o fim de 2026 avançou para 12,25% ao ano, reforçando a percepção de que o processo de flexibilização monetária pode ser mais lento do que o anteriormente previsto pelo mercado. Em contraste, as estimativas para os anos seguintes permaneceram estáveis, em 10,50% para 2027, 10,00% para 2028 e 9,50% para 2029.

Nos demais indicadores, as mudanças foram mais limitadas. A projeção de crescimento do PIB para 2026 avançou marginalmente para 1,83%, enquanto a estimativa para 2027 permaneceu em 1,80% e as de 2028 e 2029 seguem em 2,0%, sinalizando expectativa de expansão moderada da economia brasileira.

No câmbio, o mercado manteve a tendência de apreciação para o curto prazo. A projeção para o dólar ao fim de 2026 recuou para R$ 5,40, na quarta queda consecutiva, enquanto a estimativa para 2027 caiu para R$ 5,47. Para 2028, a previsão segue em R$ 5,50, e para 2029 houve leve alta, para R$ 5,51.

O conjunto das projeções sugere que o mercado voltou a revisar para cima o cenário de inflação e juros no curto prazo, enquanto mantém relativamente estável a trajetória de crescimento e de política monetária no horizonte mais longo.