
Fundos de pensão do Reino Unido e outros investidores institucionais, que juntos administram mais de 1 trilhão de libras esterlinas (US$ 1,34 trilhão) em ativos, acusaram a BP de desrespeitar os direitos dos acionistas ao se recusar a incluir uma resolução climática na pauta de sua assembleia geral anual, marcada para 23 de abril.
A proposta foi apresentada pela organização holandesa Follow This, em conjunto com 16 investidores institucionais. A Follow This é conhecida por defender o uso do ativismo acionário para forçar as grandes empresas de petróleo e gás a se alinharem às metas do Acordo de Paris. O texto da Follow This pede que a BP esclareça como pretende preservar e ampliar o valor para os acionistas caso a demanda global por petróleo e gás venha a diminuir no futuro.
Apesar de a própria BP ter reconhecido que a proposta atingiu o número mínimo de acionistas exigido pela legislação societária do Reino Unido para constar da pauta, o seu conselho decidiu não incluí-la no aviso oficial de convocação da assembleia. A decisão gerou forte reação entre investidores institucionais e especialistas em governança corporativa.
Robert Hulme, responsável pelo tema ESG na West Yorkshire Pension Fund, criticou a postura da companhia. “A BP precisa explicar publicamente por que optou por desrespeitar os direitos dos acionistas, ou perderá a confiança dos investidores institucionais”, afirmou.
Para Mark van Baal, diretor executivo da Follow This, o episódio pode abrir um precedente perigoso para o mercado. “Isto vai muito além do clima ou da indústria. Se a BP sair impune, cria um precedente e a ferramenta mais importante que os acionistas têm, o direito de colocar algo na agenda, desaparecerá”, disse.
A entidade enviou uma carta à companhia solicitando a divulgação de um comunicado complementar aos investidores que inclua a resolução na pauta da assembleia. Caso o pedido não seja atendido, o grupo avalia recorrer à Justiça para obrigar a empresa a cumprir a legislação societária. Em última instância, a disputa poderia levar até mesmo à convocação de uma assembleia extraordinária.
A BP afirmou que seu conselho concluiu — após consultar assessoria jurídica — que a resolução não estaria em conformidade com os requisitos legais. A companhia também sustenta que possui “uma estratégia clara com metas plurianuais para impulsionar o valor para os acionistas a longo prazo” e que permanece comprometida com relatórios climáticos alinhados às práticas do setor.
A proposta da Follow This é a sexta iniciativa do grupo direcionada à BP desde 2016. Nas ocasiões anteriores, a petrolífera havia permitido que as resoluções fossem votadas pelos acionistas. Em 2021, inclusive, ambas as partes chegaram a colaborar em uma resolução climática apresentada na assembleia da empresa.
Enquanto isso, uma proposta semelhante apresentada a outra gigante do setor, a Shell plc, foi aceita e será submetida aos acionistas na assembleia anual da companhia prevista para 19 de maio de 2026.