
No início de 2025, o Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou uma auditoria contra a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, para investigar suposta má gestão dos investimentos da entidade e as causas de um déficit de R$ 14 bilhões em seu Plano 1, acumulado nos primeiros onze meses de 2024. O ministro do TCU Walton Alencar Rodrigues, responsável por solicitar a auditoria, ainda não publicou o acórdão do processo. No entanto, um relatório do órgão técnico encarregado de analisar as principais denúncias, datado de 30 de setembro de 2025, não identificou irregularidades nos processos de investimento da entidade.
O Audbanco, unidade do TCU responsável pelas análises técnicas na área de finanças e investimentos, concluiu que “não foram identificadas desconformidades nos investimentos e desinvestimentos analisados”. Segundo o relatório, constatou-se que a Previ “possui arcabouço normativo que regula, em detalhes, os principais processos de investimento e desinvestimento, com múltiplos pontos e instâncias de controle”. Ainda assim, o órgão ressalta que “a implementação dos controles internos propostos (ver abaixo) e a revisão das políticas de investimento do Plano 1 contribuirão para mitigar riscos e garantir sua sustentabilidade”.
As conclusões do Audbanco devem compor o acórdão a ser publicado pelo ministro Rodrigues, ainda sem data definida. A divulgação ocorrerá em um contexto distinto daquele que motivou a auditoria: o déficit do Plano 1 foi zerado ao final do ano passado, e a presidência da entidade passou por mudança, com a renúncia de João Luiz Fukunaga em outubro do ano passado e sua substituição por Márcio Chiumento.
A auditoria buscou examinar quatro aspectos centrais: 1) se a carteira de investimentos do Plano 1 estava alinhada às suas obrigações atuariais; 2) se as principais decisões de investimento e desinvestimento em renda variável obedeceram às melhores práticas de mercado; 3) se o resultado deficitário do Plano 1 em 2024 indicaria um problema estrutural; 4) se o processo de escolha e indicação de representantes da Previ para conselhos de empresas investidas estava alinhado às melhores práticas.
Sobre o primeiro ponto, a equipe técnica concluiu que a carteira do Plano 1 apresenta elevada exposição à renda variável, em patamar superior ao de outros planos de benefício definido com perfil semelhante. O relatório reconhece, porém, que a entidade vem promovendo uma migração relevante dessa classe de ativos para títulos públicos federais nos últimos anos. Diante disso, recomenda ao TCU o acompanhamento contínuo das medidas adotadas pela entidade para manter o perfil de risco do plano compatível com suas obrigações. Também sugere que a Previ elimine, em futuras políticas de investimento, a exigência de exposições mínimas em renda variável e revise seus normativos para privilegiar alternativas de menor risco.
No segundo ponto, o Audbanco concluiu que “as decisões de investimento e desinvestimento examinadas não apresentaram distorções relevantes, tendo sido fundamentadas em pareceres que indicavam a vantajosidade das operações à luz das informações disponíveis à época”. O órgão, contudo, apontou fragilidades no gerenciamento de conflitos de interesse, recomendando a adoção de critérios objetivos e mensuráveis nos processos de escolha de representantes para conselhos de empresas investidas.
Em relação ao terceiro ponto, a equipe técnica do TCU avaliou que o déficit registrado no Plano 1 em 2024 decorreu, em grande parte, da elevada exposição à renda variável e da concentração em poucos ativos, como ações da Vale S.A.. A recomendação, novamente, foi a redução da exposição do plano a esse segmento.
Por fim, quanto ao quarto ponto, o Audbanco concluiu que o processo de escolha e indicação de representantes da Previ para conselhos de empresas investidas carece de critérios objetivos e mensuráveis que priorizem qualificação técnica, acadêmica e profissional, recomendando o aprimoramento desses processos seletivos.