Alocando com visão de longo prazo

Edição 383

Gustavo Gazaneo, Diretor de Investimentos da Petros

O ano de 2026 se inicia, apesar de um ambiente global desafiador, surpreendentemente positivo para ativos de risco, e repleto de oportunidades para decisões de investimentos bem calibradas. No cenário internacional, em meio a movimentos geopolíticos relevantes, o mercado observa com atenção as definições da política comercial dos Estados Unidos, a reconfiguração das relações entre países, as expectativas em torno das decisões de juros do Federal Reserve sob a liderança do novo chairman a partir de maio, fatores esses que seguem influenciando a economia global.

No ambiente doméstico não é diferente, com importantes desafios que ampliam o sentimento de incerteza do mercado. A taxa Selic começou 2026 em 15%, com expectativa de queda ao longo do ano; o crescimento do PIB vem se mostrando moderado; a inflação, embora em trajetória de queda, permanece acima do centro da meta, enquanto o câmbio está sendo ajudado por fatores externos. A eleição é um tema que também estará no centro dos debates nesse ano. Juntos, esses elementos se traduzem na expectativa de um mercado financeiro mais seletivo, tornando essencial a gestão de riscos, para decisões bem fundamentadas, e disciplina na alocação de recursos.

Essa conjuntura reforça a importância de olhar para o cenário com visão de longo prazo, equilíbrio e responsabilidade. Esses são valores mandatórios para quem investe pensando no futuro e, sobretudo, no impacto positivo gerado na vida de milhares de famílias, como é o caso da Petros, que administra um patrimônio próximo a R$ 150 bilhões.

Diante das perspectivas para o mercado interno e mundo afora, a Petros, maior fundo de pensão multipatrocinado do Brasil, está preparada para os desafios. Temos uma governança forte e adotamos estratégias de longo prazo pautadas em segurança, diversificação e gestão de riscos, ajustando-as de acordo com o perfil de cada um dos 18 planos que administramos.

Foi seguindo essas estratégias que, em 2025, nossos investimentos superaram com folga o objetivo de retorno. Um dos destaques do ano foi o Plano Petros-2 (PP-2), o maior de contribuição variável do país, que registrou alta de 15,24% até dezembro, segundo a prévia do ano, bem acima do objetivo de 9,19%.

Esses avanços refletem uma estratégia de investimento sólida e o amadurecimento da governança da Fundação. O fortalecimento de processos internos, a qualificação das equipes e a adoção de práticas de gestão de riscos reconhecidas internacionalmente, como a certificação ISO 31000 e a classificação da gestão de investimentos como “excelente” pela Fitch Ratings. Essas são conquistas que atestam nossa capacidade técnica e nosso compromisso com a transparência e a eficiência.

Recentemente, anunciamos nossas Políticas de Investimentos para o período 2026 a 2030, que constituem o eixo central das decisões estratégicas relacionadas aos investimentos da Fundação. Preservação do capital, diversificação, mitigação de riscos e rigor técnico na análise de oportunidades são nossos princípios. Manter consistência nessas diretrizes é o que nos permite proteger os investimentos no presente e construir valor de forma contínua e responsável.

Para 2026, mantemos uma visão construtiva e prudente. Entendendo que incertezas também abrem novas oportunidades, certos de que a disciplina e a capacidade técnica continuarão sendo nossos maiores diferenciais.

Nesse sentido, a estratégia de imunização – que consiste na compra de títulos públicos com taxas superiores à meta atuarial e foi um dos pilares de sustentação do bom desempenho em 2025 –, será ampliada nos maiores planos de benefício definido, o PPSP-R e o PPSP-NR, para garantir previsibilidade na gestão dos recursos e resultados consistentes no longo prazo. Também seguiremos com a imunização da parcela de benefício definido do PP-2, reforçando a estratégia de aquisição de títulos públicos federais marcados na curva, que não sofrem as oscilações diárias do mercado. Nos planos de contribuição definida e contribuição variável, além da proteção do patrimônio, a estratégia também está direcionada para a diversificação como forma de otimizar a relação risco/retorno.

Mantemos o olhar atento às transformações estruturais dos mercados, buscando capturar retornos sustentáveis dentro dos parâmetros de risco adequados a cada plano. A combinação de diligência técnica e visão de longo prazo é o que nos permite avançar com segurança, mesmo em um cenário global desafiador.

Gustavo Gazaneo é Diretor de Investimentos da Petros