Ibovespa fecha estável em dia de movimento fraco, e dólar recua

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou nesta segunda-feira (19/1) praticamente estável, com leve alta de 0,03%, aos 164.849,27 pontos, em pregão de baixa liquidez por conta da ausência de investidores norte-americanos devido ao feriado norte-americano em memória de Martin Luther King.

Mesmo com o ritmo mais lento, o mercado acompanhou com cautela o noticiário internacional, especialmente as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia e a política comercial. O republicano evitou detalhar até onde pretende ir para assumir o controle do território, mas reiterou que seguirá com o plano de impor tarifas a países europeus.

Segundo analistas, Alemanha, França, Reino Unido, Dinamarca e outros países da região podem enfrentar tarifas adicionais de 10% a partir de 1º de fevereiro, percentual que pode subir para 25% caso não haja acordo até 1º de junho. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que as declarações de Trump devem ser levadas “ao pé da letra”, o que manteve o mercado em alerta.

No cenário doméstico, os investidores também repercutiram o Boletim Focus, do Banco Central, que mostrou leve redução na expectativa para a inflação medida pelo IPCA em 2026, de 0,03 ponto percentual, para 4,02%. Além disso, declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foram vistas de forma positiva, especialmente pelo apoio institucional ao Banco Central na condução da política monetária e no processo de intervenção e liquidação do Banco Master, segundo avaliação de analistas.

Entre os destaques do pregão, o índice contou com o suporte das ações da Petrobras (ON +0,53% e PN +0,41%) e de alguns bancos, como Santander (Unit +0,69%), que ajudaram a compensar o desempenho negativo da Vale (-0,39%), papel de maior peso no Ibovespa. Entre as maiores altas do dia ficaram Hapvida (+3,85%), IRB (+3,59%) e Cury (+2,94%). Já as principais quedas foram registradas por Natura (-3,41%), CSN (-3,15%) e Raízen (-2,44%).

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou o dia em baixa de 0,16%, cotado a R$ 5,36. A desvalorização da moeda norte-americana frente ao real refletiu, principalmente, o enfraquecimento do dólar no cenário global em um ambiente de baixa liquidez e maior cautela dos investidores diante das novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos.

Segundo especialistas, o aumento das tensões comerciais estimulou a busca por ativos defensivos no exterior, como ouro e prata, o que acabou reduzindo a demanda pela moeda norte-americana. Esse movimento favoreceu moedas de mercados emergentes, como o real, mesmo em um dia marcado por menor volume de negócios e atenção redobrada aos desdobramentos geopolíticos.