26-02-2018 – 11:40:52
A Previ e a Petros enviaram no sábado, 24 de fevereiro, carta ao conselho de administração da BRF solicitando uma Assembleia Geral Extraordinária na qual pretendem deliberar sobre a destituição de todos os membros do Conselho de Administração da companhia; aprovação do número de 10 membros para compor o Conselho de Administração; eleição de novos membros para ocuparem os cargos do Conselho de Administração; e eleição do Presidente e do Vice-Presidente do Conselho de Administração. A Petros detém participação de 11,41% na empresa, enquanto a Previ tem 10,66%.
A BRF foi fundada em 2009, fruto da fusão das empresas Sadia e Perdigão, esta com participação da Previ desde 1997. “A Previ vem acompanhando de perto o desempenho da companhia e, assim como a Petros, está preocupada com os resultados negativos recorrentes e a desvalorização das ações da empresa”, diz a Previ, em comunicado. Em 2017, a BRF teve prejuízo de R$ 1,1 bilhão, três vezes superior ao prejuízo apurado em 2016, de R$ 372 milhões. “A Previ entende ser imprescindível reformular a estratégia do negócio a fim de recuperar a performance da BRF, uma das líderes mundiais do setor de alimentos e com atuação em mais de 150 países”.
A Petros, por sua vez, destaca que, corroborando o diagnóstico do mercado refletido pelo preço das ações, que a estratégia da Companhia precisa ser reformulada para que o investimento atinja seus objetivos. “No cumprimento do nosso dever fiduciário, somos movidos a agir em defesa dos interesses de nossos participantes. Somos investidores financeiros e estamos alinhados com os interesses dos demais acionistas. Precisamos buscar a reformulação da estratégia de gestão da BRF para, assim, superar os grandes desafios que a Companhia precisa enfrentar. Infelizmente, a estratégia implementada até o momento não surtiu os resultados desejados”, destaca o diretor de Investimentos da Petros, Daniel Lima.
“É importante que seja formado um grupo forte e atuante no CA, com conselheiros profissionais, independentes e experientes, que deverá ser capaz de imprimir novos rumos e viabilizar a recuperação da companhia, respeitando as melhores práticas de governança”, ressalta Lima. Caso o pedido de convocação de AGE não seja atendido pelo CA da BRF no prazo legal, os acionistas tomarão as providências cabíveis com base na Lei das S.A..
Ações – Os analistas da XP escrevem em relatório que é difícil encontrar um motivo principal que justifique as ações da BRF, umas das maiores companhias do setor de proteína animal do mundo, terem retraído ao mesmo patamar de cerca de três anos atrás. “Uma coisa é certa: os resultados de 2017, que tinham tudo para serem melhores, foram fracos e muito abaixo do esperado”.
Os especialistas da XP prosseguem dizendo que ficou claro que os astros estão desalinhados para a BRF e a recuperação da confiança não se dará ao longo de alguns meses, mas talvez num período maior que dois trimestres. “A perda de market share ao longo dos anos, rentabilidade baixa, desalinhamento público dos principais acionistas, são alguns dos principais motivos que não trazem conforto para se fazer uma recomendação no atual momento”.
Embora o ativo pareça descontado pelos potencial nos fundamentos e pelas marcas fortes, os analistas destacam o custo de oportunidade. Eles lembram que há ótimos ativos em bolsa, com maior previsibilidade e potencial de valorização neste momento. “Sabemos que a gestão da companhia não ficará parada, e os resultados poderão aparecer ainda este ano. Mas preferimos acompanhar do lado de fora. Não vemos argumentos para recomendar posição e acreditamos que tal opinião deverá ser mantida nos próximos meses”.
Já os analistas da Guide avaliam que os fatos envolvendo a BRF terão impacto ‘marginalmente negativo’ para a empresa. “Os últimos resultados e margens da empresa vieram pressionados nos últimos resultados, e ao que parece, pode haver uma disputa no management da empresa que poderá pressionar ainda mais o papel da empresa”, escrevem os profissionais da Guide, que acrescentam que será preciso a divulgação dos novos possíveis nomes a compor o conselho de administração para avaliar se serão mudanças benéficas para a companhia
“Com todas essas desavenças e os fracos números reportados acreditamos que suas ações continuarão sendo afetadas negativamente”, escrevem os analistas da Coinvalores. Apesar dos prognósticos, nesta segunda-feira, 26 de fevereiro, por volta do meio dia, as ações da BRF operavam em alta de 1,20%, aos R$ 28,74, enquanto o Ibovespa subia 0,50%. No acumulado de 2018, no entanto, os papéis registram queda de 21,48%, enquanto o principal benchmark da bolsa sobe 14,83% no período.