Fundos captam R$ 113,6 bilhões no 1º semestre, melhor resultado d...

06-07-2017 – 12:59:59

 

A indústria de fundos de investimentos registrou captação líquida de R$ 113,6 bilhões no primeiro semestre de 2017, o melhor resultado para o período desde o início da série histórica iniciada em 2002, e que representou um crescimento de 156,4% na comparação com igual período do ano passado, de acordo com as informações divulgadas nesta quinta-feira, 6 de julho, pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A indústria encerrou junho com Patrimônio Líquido (PL) de R$ 3,8 trilhões, frente aos R$ 3,5 trilhões em dezembro de 2016, alta de 8,5%.

Na divisão por classe de ativo, a renda fixa liderou a entrada de recursos no primeiro semestre, com captação líquida de R$ 57,5 bilhões, seguida pelos multimercados, com R$ 39 bilhões. Também tiveram captação positiva os fundos previdenciários, com R$ 18,2 bilhões, os fundos de participações, com R$ 6,1 bilhões, e os ETFs, com R$ 900 milhões. Por outro lado, tiveram resgate líquido os fundos de direitos creditórios, que apresentaram saídas de R$ 4,8 bilhões, os fundos de ações, com R$ 3,3 bilhões, e os fundos cambiais, com R$ 100 milhões.

Já na segmentação por tipo de investidor, que nesse caso considera os dados até maio, o varejo e o private foram os responsáveis pelo maior volume de captação, com R$ 42 bilhões e R$ 35,1 bilhões, respectivamente. Na sequência aparece o poder público, com R$ 25,4 bilhões, e os institucionais, com R$ 22,2 bilhões – os fundos de pensão colocaram R$ 9 bilhões na indústria de fundos de janeiro a maio de 2017, enquanto os estrangeiros aportaram R$ 4 bilhões. O único perfil de investidor que registrou resgate da indústria no período foi o corporate, com saídas de R$ 36,2 bilhões.

Crise política — Carlos Ambrósio, vice-presidente da Anbima, afirma que o movimento por parte dos investidores em direção a ativos de maior risco, como multimercados e ações, que vinha sendo observado nos primeiros meses do ano, desacelerou após o recrudescimento da crise política com as delações da JBS. O executivo ressalta que o resgate acumulado pela classe de ações no primeiro semestre, embora influenciado pela questão política, também decorreu de uma amortização de um fundo específico de volume expressivo do Banco do Brasil no período.

Para o segundo semestre, Ambrósio pondera que é difícil fazer uma projeção diante do atual ambiente de incertezas políticas, e econômicas. “Se continuar o processo de redução da Selic, com as contas não sob controle, mas dentro de uma previsibilidade, e com a inflação sim sob controle, acredito que a tendência é que continue o mesmo ritmo de captação, mas é difícil prever isso”. Durante a teleconferência com a imprensa para comentar os resultados da indústria, o vice-presidente da Anbima lembrou que o segundo semestre sazonalmente costuma ser maior fraco do que o primeiro em termos de captação. “[O ritmo de captação] vai depender muito dos importantes eventos políticos à frente, que sem dúvida podem influenciar significativamente essa tendência”.